Comércio mundial cairá mais de 10% em 2009, segundo Lamy
08:39 07 de Dezembro de 2009
SEUL (AFP) - O comércio mundial registrará este ano provavelmente uma queda sem precedentes, superior a 10%, em consequência da crise econômica, advertiu nesta segunda-feira o diretor da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy.
Mesmo admitindo que os governos fizeram progressos na luta contra a crise, Lamy destacou que ainda resta muito por fazer.
"Em fevereiro deste ano, a crise atingiu o pico. Menos de um ano depois, conseguimos avançar, mas ainda não saímos do problema", afirmou durante um fórum em Seul.
"O processo de limpeza está no meio do caminho, mas os progressos ainda são muito lentos", completou Lamy.
Lamy considera ainda que por este motivo "as pressões para a adotar medidas protecionistas, com seus ganhos ilusórios para as economias nacionais, não desaparecerão tão rapidamente".
Ele insistiu em consequência na necessidade de concluir de uma vez por todas a Rodada de Doha, lançada em 2001 para a liberalização do comércio mundial, mas admitiu que isto "só acontecerá se todos (os países membros da OMC) estiverem dispostos a fazer um esforço sério".
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Monday, December 7, 2009
Tuesday, September 15, 2009
RECUPERACION DE AMERICA LATINA
Índices e pesquisas apontam rápida recuperação econômica na América Latina,12-09-2009
“Marolinha” ou “tsunami”? Até o último trimestre de 2008, a América Latina alimentava a esperança de passar incólume pela crise econômica que atingia os Estados Unidos e a União Europeia. Havia um certo distanciamento entre os países emergentes, que continuavam a crescer em sua maioria, e as nações mais industrializadas, que mergulhavam na recessão. A queda do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, e o subsequente desaparecimento do crédito, acabou com essa ilusão. A América Latina foi a última região a entrar na crise, mas o golpe não foi pequeno. Após seis anos de crescimento contínuo, o grupo de países deve apresentar um recuo de 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009. O Brasil, que crescia ao ritmo de 6% em 2008, teve queda de 3,9% no último trimestre do ano. A economia chilena contraiu 4,5% no segundo trimestre de 2009, o que fez com que o país entrasse oficialmente na primeira recessão desde 1999. Motor do crescimento durante a atual década, o comércio exterior foi duramente afetado. As exportações da região devem apresentar redução de 13% este ano, segundo estimativa da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), braço econômico das Nações Unidas na região. A retração é atribuída ao encolhimento da demanda, à queda dos preços de matérias-primas produzidas na região e ao aperto no mercado de crédito. Segundo a Cepal, seria o pior resultado em 72 anos. Paralelamente, as remessas contraíram cerca de 10% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Os efeitos sociais da crise não demoraram a abalar a população da região. Desde o começo de 2008 até o primeiro trimestre de 2009 mais de um milhão de pessoas ficaram sem emprego nas zonas urbanas. A taxa de desemprego deveria passar de 7,4% em 2008 para cerca de 9% este ano, deixando mais de três milhões de pessoas sem trabalho. Isso sem contabilizar a expansão do trabalho informal, que dificulta a saída da pobreza. Rápida melhora Mas enquanto os países ricos parecem ainda experimentar uma deterioração do quadro econômico, vários índices apontam uma recuperação rápida na América Latina, fazendo com que provavelmente a região seja a primeira a sair da crise. A Fundação Getúlio Vargas acabou de publicar, em colaboração com o instituto de pesquisa econômica da Universidade de Munich (IFO), um informe sobre o clima econômico da região. O trabalho mostra uma melhora das expectativas dos agentes econômicos no Peru, Brasil, Chile e Colômbia. “No caso do Brasil, se as expectativas se confirmarem, o país pode passar para a fase de expansão já na próxima sondagem”, acredita Lia Valls, coordenadora da pesquisa para a Fundação Getúlio Vargas. Os números do PIB divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmam que a economia brasileira cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre, o que confirma que o país saiu da recessão técnica. O quadro positivo se estende à maioria dos países da região, exceto na Venezuela, onde a situação política transformou os empresários em adversários do governo. A primeira explicação desta melhora tão rápida vem da recuperação das exportações de matérias-primas, as chamadas commodities. Os preços do cobre, soja, minério de ferro e do petróleo aumentaram desde o começo do ano e subiram ainda mais desde abril, puxados pela demanda asiática. Na China, o pacote fiscal do governo começa a surtir efeitos e já há previsões de que a economia irá crescer 7,5% este ano. Isso provocou uma mudança estrutural nos destinos dos produtos latino-americanos, como mostra o exame do comércio exterior brasileiro. Enquanto as vendas para Estados Unidos caíram 43%, para a União Européia, 27,2% e para o Mercosul, 40% durante os primeiros seis meses do ano em relação ao mesmo período em 2008. Na Ásia, único mercado onde foi registrado crescimento, houve alta de 15,8%. Sendo assim, o continente passou a ser o destino de 27% dos produtos exportados pelo Brasil, com destaque para a China, que em março se tornou o principal cliente do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. O apetite pelas matérias-primas explica também a boa resistência dos investimentos estrangeiros diretos, em comparação com outras regiões do mundo. Em 2009, os fluxos de investimentos na América Latina e no Caribe chegaram a 140 bilhões de dólares, em alta de 9% em relação a 2007, enquanto a tendência mundial era de uma diminuição de 15% - ainda mais marcada nos países mais ricos (-25%). Segundo a Cepal, 80% destes fundos foram para empresas de matérias-primas no Brasil. No Chile e na Colômbia, a quase totalidade foi investida nas mineradoras. Esta recuperação já começou a se refletir nos mercados financeiros. Em 2008, quando a crise apertou, os investidores venderam as ações de todas as bolsas sem muita discriminação, como provaram as fortes quedas dos índices de forma geral. Desde o final do ano passado, as bolsas latino-americanas são as mais dinâmicas. A melhor recuperação é da bolsa do Chile. Mesmo assim, a alta não conseguiu ainda borrar a crise. Desde o seu nível máximo, em julho de 2007, até a sua mínima, em outubro do ano passado, ela caiu 40%. No final de agosto, tinha voltado a 7% abaixo do topo histórico, assim como a bolsa da Colômbia. Macroeconomia Esta diferenciação feita pelos investidores pode ser explicada pelo exame mais profundo dos fundamentos econômicos. “A crise encontrou a América Latina numa situação muito melhor em matéria macroeconômica que em outras épocas”, analisa Lia Valls. Os países tinham pelo menos seis anos de crescimento interrompido, conseguiram diminuir uma boa parte da dívida publica e acumularam reservas internacionais. Na Venezuela, por exemplo, as reservas de divisas deveriam permitir ao governo seguir importando durante nove meses, apesar da queda brutal do petróleo. Na Argentina, os 45 bilhões de reservas aparecem como uma garantia para evitar um calote comparável a aquele de 2001. Mais preparados, os países latino-americanos deram também muito mais espaço a ações do Estado em comparação com as últimas crises, implementando medidas contra-cíclicas fortes, começando pela política monetária. Para facilitar a volta do crédito e manter a demanda interna, todos os países da região entraram em um ciclo de alívio monetário agressivo, com cortes nos juros que vão até 7,5 pontos. No Chile, a taxa passou de 8,25% em janeiro de 2009 a 0,5% em julho. No México, tradicionalmente ortodoxo, caiu de 8,25% no final de 2008 a 4,5% em agosto, o mesmo nível que na Colômbia, enquanto no Peru atingiu o nível histórico de 1,25%, após a sétima redução consecutiva. No Brasil, a taxa básica Selic foi reduzida para 8,75% anuais. Desde a criação do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em 1996, é a primeira vez que
descontada a inflação - chegam abaixo de 5% ao ano. Parte 2: Países da América Latina adotam diferentes medidas para sair da crise
A política monetária não foi o único instrumento utilizado pelos países latino-americanos para revitalizar a economia. No Chile, a presidente Michelle Bachelet anunciou um pacote econômico de 4 bilhões de dólares em maio, soma que foi dobrada em junho. “O governo chileno aproveita o dinheiro acumulado no Fundo de Estabilização econômica e social (FEES), no qual vão os benefícios do cobre quando o preço do metal é muito alto”, explica Lia Valls, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas. No Brasil, Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, destaca “a importância das desonerações tributárias em determinados segmentos de bens duráveis (veículos, linha branca, material de construção), estimulando o consumo e a produção destes itens”. Na linha branca, a produção saltou de 20% em maio e junho, em relação ao mesmo período em 2008, enquanto as montadoras já preveem um recorde de vendas neste ano. Os gastos do Estado por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e os investimentos das estatais deveriam ser a principal fonte de atividade econômica. De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, a Petrobras sozinha responderá por quase a metade do crescimento. A estatal deveria desembolsar investimentos por 1,7% do PIB (contra 1,3%, em 2008, e 0,9%, em 2007). Apenas no primeiro trimestre, a Petrobras investiu cerca de 14,4 bilhões de reais, 41% a mais do que em igual período de 2008. “A crise sinalizou o grande retorno da política como protagonista para a construção do futuro na América Latina”, opina Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe). Ela considera que a situação econômica atual acabou com a ilusão de um mercado resolvendo todos os problemas sem a ação do Estado. “O gasto social em tempo de crise é muito importante”, destaca Bárcena, lembrando que a América Latina demorou 12 anos para recuperar o nível de crescimento prévio da crise econômica de 1980, mas precisou de 24 anos para voltar aos níveis de pobreza anteriores a esta mesma crise. Até os organismos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial incorporaram esta mudança. “Os novos empréstimos do FMI, como aquele de 40 bilhões feito ao México, vêm com poucas condições, o que facilita sua eficiência. No passado, demoravam muito, e as condições fiscais drásticas tinham efeitos negativos sobre a demanda interna”, acrescenta Lia Valls. Próximo passo Menos golpeada que outras regiões, a América Latina deve agora provar sua capacidade de integrar esta melhora de maneira estrutural. Os países que resistiram mais à crise e onde a atividade está decolando mais rapidamente são os que conseguiram construir uma economia com um mercado interno importante, um sistema financeiro sólido e exportações diversificadas. A economia brasileira foi uma das menos afetadas graças à relativa independência do comércio internacional. As exportações respondem por apenas 14% do PIB. No Chile, esse patamar é de 39% e na Costa Rica chega a 46%. É também o peso do mercado doméstico que explica a atração dos investimentos e por essa razão as multinacionais apontaram o Brasil como o quarto destino preferido para investimentos nos próximos dois anos, segundo uma pesquisa da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O México, que exporta mais de 80% de seus produtos para os Estado Unidos, está numa situação bem mais frágil que o Brasil, cujo principal comprador, a China, não ultrapassa 20% das vendas. “Infelizmente, esta situação não provocou uma mudança de atitude dos empresários mexicanos, existe uma inércia grande”, lamenta Hilda Garcia, que dirige a edição multimídia do diário El Universal. O economista argentino Federico Villalpando demonstra a mesma preocupação. “Não há dúvidas que a Argentina está bem mais preparada hoje para uma crise econômica que há dez anos. Mas acho que a procura para diversificar as exportações, a reforma fiscal, a acumulação de reservas e as medidas para aumentar a produção local poderiam ter sido melhores durante os anos de crescimento econômico”. Na Venezuela, a pergunta é se o governo vai conseguir reverter a dependência extrema a um único produto, o petróleo, que representa 93% de suas entradas de divisas. No Brasil, o risco é ver as matérias-primas, que geram pouco emprego e desenvolvimento, tomar o espaço de produtos industriais nas vendas do país. “Veremos se a crise vai incentivar uma mudança na arquitetura financeira da região”, sublinha Lia Valls. Sem acesso ao crédito, a Argentina está obrigada a reconsiderar sua rejeição ao FMI, enquanto o México depende dos bancos norte-americanos, que são grandes atores no país. Também a partir desse ponto de vista, o Brasil foi o mais sólido, com 79% do crédito que vem do setor financeiro nacional. A presença de bancos nacionais potentes faz do país um caso a parte na América Latina, que alguns vizinhos estão pensando em copiar. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo, vai desembolsar 50 bilhões de dólares este ano, mais de quatro vezes o volume de empréstimos previstos pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para toda América Latina (12 bilhões). Ilusão? O economista argentino Cláudio Loser, que trabalha como pesquisador no The Inter-American Dialogue, considera que a recuperação econômica da América Latina pode ser só uma ilusão enquanto os governos não entenderem a necessidade de medidas estruturais. Ele acabou de publicar uma pesquisa comparando as diversas regiões do mundo nas questões de educação, investimento e competitividade. “A região fez seu dever de casa sobre a gestão macroeconômica, mas está ainda muito atrasada nesses indicadores estruturais para esperar prosperar”, explica. Seu compatriota, o economista Federico Villalpando, é um pouco mais otimista. “O fato de o debate sobre política econômica, medidas fiscais, produção e emprego existir demonstra que América Latina amadureceu bastante”.
“Marolinha” ou “tsunami”? Até o último trimestre de 2008, a América Latina alimentava a esperança de passar incólume pela crise econômica que atingia os Estados Unidos e a União Europeia. Havia um certo distanciamento entre os países emergentes, que continuavam a crescer em sua maioria, e as nações mais industrializadas, que mergulhavam na recessão. A queda do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, e o subsequente desaparecimento do crédito, acabou com essa ilusão. A América Latina foi a última região a entrar na crise, mas o golpe não foi pequeno. Após seis anos de crescimento contínuo, o grupo de países deve apresentar um recuo de 1,9% do PIB (Produto Interno Bruto) em 2009. O Brasil, que crescia ao ritmo de 6% em 2008, teve queda de 3,9% no último trimestre do ano. A economia chilena contraiu 4,5% no segundo trimestre de 2009, o que fez com que o país entrasse oficialmente na primeira recessão desde 1999. Motor do crescimento durante a atual década, o comércio exterior foi duramente afetado. As exportações da região devem apresentar redução de 13% este ano, segundo estimativa da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), braço econômico das Nações Unidas na região. A retração é atribuída ao encolhimento da demanda, à queda dos preços de matérias-primas produzidas na região e ao aperto no mercado de crédito. Segundo a Cepal, seria o pior resultado em 72 anos. Paralelamente, as remessas contraíram cerca de 10% entre o último trimestre de 2008 e o primeiro de 2009. Os efeitos sociais da crise não demoraram a abalar a população da região. Desde o começo de 2008 até o primeiro trimestre de 2009 mais de um milhão de pessoas ficaram sem emprego nas zonas urbanas. A taxa de desemprego deveria passar de 7,4% em 2008 para cerca de 9% este ano, deixando mais de três milhões de pessoas sem trabalho. Isso sem contabilizar a expansão do trabalho informal, que dificulta a saída da pobreza. Rápida melhora Mas enquanto os países ricos parecem ainda experimentar uma deterioração do quadro econômico, vários índices apontam uma recuperação rápida na América Latina, fazendo com que provavelmente a região seja a primeira a sair da crise. A Fundação Getúlio Vargas acabou de publicar, em colaboração com o instituto de pesquisa econômica da Universidade de Munich (IFO), um informe sobre o clima econômico da região. O trabalho mostra uma melhora das expectativas dos agentes econômicos no Peru, Brasil, Chile e Colômbia. “No caso do Brasil, se as expectativas se confirmarem, o país pode passar para a fase de expansão já na próxima sondagem”, acredita Lia Valls, coordenadora da pesquisa para a Fundação Getúlio Vargas. Os números do PIB divulgados nesta semana pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) confirmam que a economia brasileira cresceu 1,9% no segundo trimestre deste ano na comparação com o primeiro trimestre, o que confirma que o país saiu da recessão técnica. O quadro positivo se estende à maioria dos países da região, exceto na Venezuela, onde a situação política transformou os empresários em adversários do governo. A primeira explicação desta melhora tão rápida vem da recuperação das exportações de matérias-primas, as chamadas commodities. Os preços do cobre, soja, minério de ferro e do petróleo aumentaram desde o começo do ano e subiram ainda mais desde abril, puxados pela demanda asiática. Na China, o pacote fiscal do governo começa a surtir efeitos e já há previsões de que a economia irá crescer 7,5% este ano. Isso provocou uma mudança estrutural nos destinos dos produtos latino-americanos, como mostra o exame do comércio exterior brasileiro. Enquanto as vendas para Estados Unidos caíram 43%, para a União Européia, 27,2% e para o Mercosul, 40% durante os primeiros seis meses do ano em relação ao mesmo período em 2008. Na Ásia, único mercado onde foi registrado crescimento, houve alta de 15,8%. Sendo assim, o continente passou a ser o destino de 27% dos produtos exportados pelo Brasil, com destaque para a China, que em março se tornou o principal cliente do Brasil, ultrapassando os Estados Unidos. O apetite pelas matérias-primas explica também a boa resistência dos investimentos estrangeiros diretos, em comparação com outras regiões do mundo. Em 2009, os fluxos de investimentos na América Latina e no Caribe chegaram a 140 bilhões de dólares, em alta de 9% em relação a 2007, enquanto a tendência mundial era de uma diminuição de 15% - ainda mais marcada nos países mais ricos (-25%). Segundo a Cepal, 80% destes fundos foram para empresas de matérias-primas no Brasil. No Chile e na Colômbia, a quase totalidade foi investida nas mineradoras. Esta recuperação já começou a se refletir nos mercados financeiros. Em 2008, quando a crise apertou, os investidores venderam as ações de todas as bolsas sem muita discriminação, como provaram as fortes quedas dos índices de forma geral. Desde o final do ano passado, as bolsas latino-americanas são as mais dinâmicas. A melhor recuperação é da bolsa do Chile. Mesmo assim, a alta não conseguiu ainda borrar a crise. Desde o seu nível máximo, em julho de 2007, até a sua mínima, em outubro do ano passado, ela caiu 40%. No final de agosto, tinha voltado a 7% abaixo do topo histórico, assim como a bolsa da Colômbia. Macroeconomia Esta diferenciação feita pelos investidores pode ser explicada pelo exame mais profundo dos fundamentos econômicos. “A crise encontrou a América Latina numa situação muito melhor em matéria macroeconômica que em outras épocas”, analisa Lia Valls. Os países tinham pelo menos seis anos de crescimento interrompido, conseguiram diminuir uma boa parte da dívida publica e acumularam reservas internacionais. Na Venezuela, por exemplo, as reservas de divisas deveriam permitir ao governo seguir importando durante nove meses, apesar da queda brutal do petróleo. Na Argentina, os 45 bilhões de reservas aparecem como uma garantia para evitar um calote comparável a aquele de 2001. Mais preparados, os países latino-americanos deram também muito mais espaço a ações do Estado em comparação com as últimas crises, implementando medidas contra-cíclicas fortes, começando pela política monetária. Para facilitar a volta do crédito e manter a demanda interna, todos os países da região entraram em um ciclo de alívio monetário agressivo, com cortes nos juros que vão até 7,5 pontos. No Chile, a taxa passou de 8,25% em janeiro de 2009 a 0,5% em julho. No México, tradicionalmente ortodoxo, caiu de 8,25% no final de 2008 a 4,5% em agosto, o mesmo nível que na Colômbia, enquanto no Peru atingiu o nível histórico de 1,25%, após a sétima redução consecutiva. No Brasil, a taxa básica Selic foi reduzida para 8,75% anuais. Desde a criação do Comitê de Política Monetária do Banco Central, em 1996, é a primeira vez que
descontada a inflação - chegam abaixo de 5% ao ano. Parte 2: Países da América Latina adotam diferentes medidas para sair da crise
A política monetária não foi o único instrumento utilizado pelos países latino-americanos para revitalizar a economia. No Chile, a presidente Michelle Bachelet anunciou um pacote econômico de 4 bilhões de dólares em maio, soma que foi dobrada em junho. “O governo chileno aproveita o dinheiro acumulado no Fundo de Estabilização econômica e social (FEES), no qual vão os benefícios do cobre quando o preço do metal é muito alto”, explica Lia Valls, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas. No Brasil, Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, destaca “a importância das desonerações tributárias em determinados segmentos de bens duráveis (veículos, linha branca, material de construção), estimulando o consumo e a produção destes itens”. Na linha branca, a produção saltou de 20% em maio e junho, em relação ao mesmo período em 2008, enquanto as montadoras já preveem um recorde de vendas neste ano. Os gastos do Estado por meio do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e os investimentos das estatais deveriam ser a principal fonte de atividade econômica. De acordo com cálculos do Ministério da Fazenda, a Petrobras sozinha responderá por quase a metade do crescimento. A estatal deveria desembolsar investimentos por 1,7% do PIB (contra 1,3%, em 2008, e 0,9%, em 2007). Apenas no primeiro trimestre, a Petrobras investiu cerca de 14,4 bilhões de reais, 41% a mais do que em igual período de 2008. “A crise sinalizou o grande retorno da política como protagonista para a construção do futuro na América Latina”, opina Alicia Bárcena, secretária-executiva da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e Caribe). Ela considera que a situação econômica atual acabou com a ilusão de um mercado resolvendo todos os problemas sem a ação do Estado. “O gasto social em tempo de crise é muito importante”, destaca Bárcena, lembrando que a América Latina demorou 12 anos para recuperar o nível de crescimento prévio da crise econômica de 1980, mas precisou de 24 anos para voltar aos níveis de pobreza anteriores a esta mesma crise. Até os organismos multilaterais como o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial incorporaram esta mudança. “Os novos empréstimos do FMI, como aquele de 40 bilhões feito ao México, vêm com poucas condições, o que facilita sua eficiência. No passado, demoravam muito, e as condições fiscais drásticas tinham efeitos negativos sobre a demanda interna”, acrescenta Lia Valls. Próximo passo Menos golpeada que outras regiões, a América Latina deve agora provar sua capacidade de integrar esta melhora de maneira estrutural. Os países que resistiram mais à crise e onde a atividade está decolando mais rapidamente são os que conseguiram construir uma economia com um mercado interno importante, um sistema financeiro sólido e exportações diversificadas. A economia brasileira foi uma das menos afetadas graças à relativa independência do comércio internacional. As exportações respondem por apenas 14% do PIB. No Chile, esse patamar é de 39% e na Costa Rica chega a 46%. É também o peso do mercado doméstico que explica a atração dos investimentos e por essa razão as multinacionais apontaram o Brasil como o quarto destino preferido para investimentos nos próximos dois anos, segundo uma pesquisa da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento). O México, que exporta mais de 80% de seus produtos para os Estado Unidos, está numa situação bem mais frágil que o Brasil, cujo principal comprador, a China, não ultrapassa 20% das vendas. “Infelizmente, esta situação não provocou uma mudança de atitude dos empresários mexicanos, existe uma inércia grande”, lamenta Hilda Garcia, que dirige a edição multimídia do diário El Universal. O economista argentino Federico Villalpando demonstra a mesma preocupação. “Não há dúvidas que a Argentina está bem mais preparada hoje para uma crise econômica que há dez anos. Mas acho que a procura para diversificar as exportações, a reforma fiscal, a acumulação de reservas e as medidas para aumentar a produção local poderiam ter sido melhores durante os anos de crescimento econômico”. Na Venezuela, a pergunta é se o governo vai conseguir reverter a dependência extrema a um único produto, o petróleo, que representa 93% de suas entradas de divisas. No Brasil, o risco é ver as matérias-primas, que geram pouco emprego e desenvolvimento, tomar o espaço de produtos industriais nas vendas do país. “Veremos se a crise vai incentivar uma mudança na arquitetura financeira da região”, sublinha Lia Valls. Sem acesso ao crédito, a Argentina está obrigada a reconsiderar sua rejeição ao FMI, enquanto o México depende dos bancos norte-americanos, que são grandes atores no país. Também a partir desse ponto de vista, o Brasil foi o mais sólido, com 79% do crédito que vem do setor financeiro nacional. A presença de bancos nacionais potentes faz do país um caso a parte na América Latina, que alguns vizinhos estão pensando em copiar. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), por exemplo, vai desembolsar 50 bilhões de dólares este ano, mais de quatro vezes o volume de empréstimos previstos pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), para toda América Latina (12 bilhões). Ilusão? O economista argentino Cláudio Loser, que trabalha como pesquisador no The Inter-American Dialogue, considera que a recuperação econômica da América Latina pode ser só uma ilusão enquanto os governos não entenderem a necessidade de medidas estruturais. Ele acabou de publicar uma pesquisa comparando as diversas regiões do mundo nas questões de educação, investimento e competitividade. “A região fez seu dever de casa sobre a gestão macroeconômica, mas está ainda muito atrasada nesses indicadores estruturais para esperar prosperar”, explica. Seu compatriota, o economista Federico Villalpando, é um pouco mais otimista. “O fato de o debate sobre política econômica, medidas fiscais, produção e emprego existir demonstra que América Latina amadureceu bastante”.
Wednesday, July 22, 2009
ESTUDIO ECONOMICO DE AMERICA LATINA Y EL CARIBE 2008-2009
La publicación del sexagésimo primer Estudio económico de América Latina y el Caribe, correspondiente al bienio 2008-2009, tiene lugar en un momento crítico del desarrollo económico de América Latina y el Caribe. Se interrumpió una fase de crecimiento de duración y características inéditas en la historia reciente y la región sufre una contracción de su producto, con efectos negativos en el bienestar de la población que inevitablemente se reflejarán en retrocesos de las variables sociales. Dos características diferencian la situación actual de los muchos episodios de crisis que afectaron a la región en las décadas pasadas. En primer lugar, la crisis no se originó en la región ni tampoco en otra economía emergente, sino en la economía más grande del mundo, por lo que tuvo efectos a nivel global, con significativas diferencias entre países y regiones. En segundo lugar, si bien con excepciones significativas, al disminuir sus deudas e incrementar sus reservas durante la fase expansiva de los años pasados, la región en su conjunto está mejor preparada para enfrentar esta crisis que en episodios previos y que otras regiones. Estas características, por su parte, tienen dos consecuencias: la tasa de contracción proyectada para el año en curso es relativamente moderada —si bien nuevamente con marcadas diferencias entre los países de la región— y la recuperación depende en gran parte de la reactivación de la economía mundial en su conjunto.
En la primera parte de este Estudio económico se analizan los canales a través de los cuales la crisis está afectando a las economías de la región y su efecto en variables como el crecimiento económico, el empleo y los indicadores del sector externo. También se presentan las fortalezas y debilidades para enfrentar las consecuencias de la crisis mundial y las políticas económicas aplicadas en este contexto. El análisis abarca la evolución de la economía regional en 2008 y el primer semestre de 2009 y concluye con un examen de las perspectivas de la región en el segundo semestre del año, todo ello respaldado con un amplio anexo estadístico.
Las características de la recuperación dependen en gran medida de la evolución de la economía mundial, pero también de la manera en que los países se preparan para los desafíos del futuro. A este respecto, es importante el manejo macroeconómico de la crisis, pero también, como la CEPAL ha enfatizado en repetidas ocasiones, la construcción de los fundamentos para un crecimiento sostenido, basado en una creciente competitividad sistémica, una mayor cohesión social y una estructura productiva y de consumo ambientalmente sostenible. Por lo tanto, una tarea clave de los países de la región es el desarrollo de instituciones acordes con estos objetivos. En este Estudio económico se analiza el caso de la institucionalidad laboral, que en el pasado reciente ha sido objeto de confrontaciones polarizadas y debates sumamente controvertidos. No obstante, actualmente se han abierto espacios para un debate más equilibrado que tome en cuenta que esta institucionalidad debe cumplir con varios objetivos, lo que no permite la imposición de visiones particulares.
En el primer capítulo de la segunda parte se revisa el desarrollo histórico de la institucionalidad laboral de la región, la gran variedad existente al respecto entre los países y el papel de los principales componentes de esta institucionalidad. En el segundo capítulo, se presentan los cambios recientes en algunas instituciones específicas, el salario mínimo, los sindicatos y la negociación colectiva, así como los instrumentos de protección al desempleo, y se analizan sus efectos sobre el funcionamiento del mercado de trabajo y las opciones para su perfeccionamiento. En el tercer capítulo, se examinan las políticas activas del mercado de trabajo, específicamente la capacitación y formación profesional, los servicios públicos de empleo, la generación directa e indirecta de empleo y el fomento del trabajo independiente. En el cuarto capítulo, se discuten alternativas de política para promover la inserción laboral productiva de los jóvenes y las mujeres, quienes con frecuencia son marginados y discriminados en el mercado laboral. El quinto capítulo resume las conclusiones sobre los desafíos de la institucionalidad laboral y los mecanismos para avanzar en el cumplimiento de sus objetivos.
Por último, se analiza la coyuntura de los países de América Latina y el Caribe en 2008 y el primer semestre de 2009. A la información de las notas de cada país se suman los datos del anexo estadístico en el que se muestra la evolución de los principales indicadores económicos. Estas notas, al igual que el anexo estadístico específico para cada país, se publican en el CD-ROM que acompaña la versión impresa, así como también en la página web de la CEPAL (www.cepal.org). En los cuadros del anexo estadístico se puede visualizar rápidamente la información de los últimos años y crear cuadros en hojas electrónicas. En el disco se encuentran también las versiones electrónicas de la primera y la segunda parte.
La información estadística de la presente publicación ha sido actualizada al 30 de junio de 2009.
En la primera parte de este Estudio económico se analizan los canales a través de los cuales la crisis está afectando a las economías de la región y su efecto en variables como el crecimiento económico, el empleo y los indicadores del sector externo. También se presentan las fortalezas y debilidades para enfrentar las consecuencias de la crisis mundial y las políticas económicas aplicadas en este contexto. El análisis abarca la evolución de la economía regional en 2008 y el primer semestre de 2009 y concluye con un examen de las perspectivas de la región en el segundo semestre del año, todo ello respaldado con un amplio anexo estadístico.
Las características de la recuperación dependen en gran medida de la evolución de la economía mundial, pero también de la manera en que los países se preparan para los desafíos del futuro. A este respecto, es importante el manejo macroeconómico de la crisis, pero también, como la CEPAL ha enfatizado en repetidas ocasiones, la construcción de los fundamentos para un crecimiento sostenido, basado en una creciente competitividad sistémica, una mayor cohesión social y una estructura productiva y de consumo ambientalmente sostenible. Por lo tanto, una tarea clave de los países de la región es el desarrollo de instituciones acordes con estos objetivos. En este Estudio económico se analiza el caso de la institucionalidad laboral, que en el pasado reciente ha sido objeto de confrontaciones polarizadas y debates sumamente controvertidos. No obstante, actualmente se han abierto espacios para un debate más equilibrado que tome en cuenta que esta institucionalidad debe cumplir con varios objetivos, lo que no permite la imposición de visiones particulares.
En el primer capítulo de la segunda parte se revisa el desarrollo histórico de la institucionalidad laboral de la región, la gran variedad existente al respecto entre los países y el papel de los principales componentes de esta institucionalidad. En el segundo capítulo, se presentan los cambios recientes en algunas instituciones específicas, el salario mínimo, los sindicatos y la negociación colectiva, así como los instrumentos de protección al desempleo, y se analizan sus efectos sobre el funcionamiento del mercado de trabajo y las opciones para su perfeccionamiento. En el tercer capítulo, se examinan las políticas activas del mercado de trabajo, específicamente la capacitación y formación profesional, los servicios públicos de empleo, la generación directa e indirecta de empleo y el fomento del trabajo independiente. En el cuarto capítulo, se discuten alternativas de política para promover la inserción laboral productiva de los jóvenes y las mujeres, quienes con frecuencia son marginados y discriminados en el mercado laboral. El quinto capítulo resume las conclusiones sobre los desafíos de la institucionalidad laboral y los mecanismos para avanzar en el cumplimiento de sus objetivos.
Por último, se analiza la coyuntura de los países de América Latina y el Caribe en 2008 y el primer semestre de 2009. A la información de las notas de cada país se suman los datos del anexo estadístico en el que se muestra la evolución de los principales indicadores económicos. Estas notas, al igual que el anexo estadístico específico para cada país, se publican en el CD-ROM que acompaña la versión impresa, así como también en la página web de la CEPAL (www.cepal.org). En los cuadros del anexo estadístico se puede visualizar rápidamente la información de los últimos años y crear cuadros en hojas electrónicas. En el disco se encuentran también las versiones electrónicas de la primera y la segunda parte.
La información estadística de la presente publicación ha sido actualizada al 30 de junio de 2009.
Sunday, July 19, 2009
DESPUES DE CRISIS MUNDIAL
Os perigos pós-crise
O mundo vai ter uma convalescença difícil e perigosa, depois da maior crise financeira desde a 2ª Guerra Mundial. Depois de gastar trilhões de dólares para conter os estragos e evitar uma depressão, os governos do mundo rico estarão atolados em dívidas. Nessa semana, o Tesouro americano anunciou um déficit público recorde de US$ 1,09 trilhão. Esse foi o resultado das contas públicas até junho, mas o ano fiscal só terminará em 30 de setembro e até lá o rombo poderá chegar, segundo a projeção oficial, a US$ 1,84 trilhão. Para o próximo ano fiscal a previsão é mais otimista: o déficit poderá diminuir para US$ 1,26 trilhão, mas o buraco ainda será quase o triplo do contabilizado na temporada de 2008, US$ 454,8 bilhões. A arrumação dessa bagunça financeira vai, certamente, custar caro. Entre 2009 e 2011, os déficits federais americanos ficarão em média na vizinhança de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeção divulgada no mês passado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), depois da revisão anual das condições econômicas dos Estados Unidos. A dívida federal deverá atingir 75% do PIB e, como os prazos de vencimento estão encurtando, as necessidades brutas de financiamento do Tesouro deverão equivaler a 30% da riqueza produzida no país. Esse dinheiro, é fácil adivinhar, será obtido no mercado internacional e para isso o Tesouro terá de pagar, quase certamente, juros bem maiores que os da fase de prosperidade. Nenhum país ficará livre das consequências desse encarecimento do crédito. O caso americano é o mais notável apenas pela dimensão da economia dos Estados Unidos, mas todas as potências capitalistas deverão enfrentar dificuldades fiscais, depois dos enormes volumes de dinheiro lançados no mercado para combater a crise. No Reino Unido, o déficit público passou de 2,7% do PIB em 2007 para 7,1% em 2008, deve chegar a 12,9% em 2009 e poderá alcançar 13,25% no próximo ano fiscal, segundo os cálculos do FMI. No Japão, o déficit está projetado em 11,6% do PIB, este ano. Em 2008 chegou a 6,7%, pouco mais que o dobro do registrado em 2007, 3,3%. Quadros parecidos são encontrados quando se examinam as contas das outras grandes economias capitalistas. Na zona do euro, o limite de 3% do PIB para o déficit público, fixado para a convergência fiscal dos países-membros do clube, é hoje uma vaga memória. É parte da atividade normal do FMI o exame periódico das condições econômicas dos países sócios. As consultas entre os economistas do Fundo e o pessoal dos vários governos são previstas no artigo 4º do Acordo Constitutivo e as conclusões e recomendações são normalmente divulgadas. Nesta temporada, uma recomendação se repete em todo relatório produzido sobre as economias do mundo rico: embora a crise não esteja superada e falte completar algumas tarefas, com destaque para o ajuste do setor financeiro, é prudente pensar desde já numa estratégia de saída. Será preciso desmontar o enorme aparato financeiro de ajuda a bancos, empresas e famílias endividadas. Os governos terão, em alguns casos, de eliminar gradualmente os incentivos. "Com uma dívida pública já elevada, o custo da recessão e os estímulos fiscais devem piorar de forma considerável a perspectiva fiscal no médio prazo", está escrito no relatório sobre a França. O prognóstico se repete no material produzido pelas várias missões.Um grupo de economistas do FMI acaba de publicar um pequeno trabalho sobre a importância de apresentar publicamente o conjunto de "riscos fiscais no mundo pós-crise". Os próprios governos poderão atuar com maior segurança, de acordo com o documento, se estiverem preparados para avaliar as consequências possíveis dos problemas acumulados.O quadro se complica, desta vez, com grandes grupos em apuros. Neste ano, 128 companhias de peso já se tornaram insolventes e outras 207, segundo a Standard & Poor?s, poderão não evitar o calote. A convalescença global será uma fase ruim para quem precisar seriamente de financiamento. Mas o governo brasileiro insiste em aumentar os gastos permanentes, a começar pelos salários. Empenhado na campanha eleitoral, o presidente Lula expõe o País a perigos muito graves nos próximos anos. Alguém de fora do Palácio deveria alertá-lo com urgência.
O mundo vai ter uma convalescença difícil e perigosa, depois da maior crise financeira desde a 2ª Guerra Mundial. Depois de gastar trilhões de dólares para conter os estragos e evitar uma depressão, os governos do mundo rico estarão atolados em dívidas. Nessa semana, o Tesouro americano anunciou um déficit público recorde de US$ 1,09 trilhão. Esse foi o resultado das contas públicas até junho, mas o ano fiscal só terminará em 30 de setembro e até lá o rombo poderá chegar, segundo a projeção oficial, a US$ 1,84 trilhão. Para o próximo ano fiscal a previsão é mais otimista: o déficit poderá diminuir para US$ 1,26 trilhão, mas o buraco ainda será quase o triplo do contabilizado na temporada de 2008, US$ 454,8 bilhões. A arrumação dessa bagunça financeira vai, certamente, custar caro. Entre 2009 e 2011, os déficits federais americanos ficarão em média na vizinhança de 9% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo projeção divulgada no mês passado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), depois da revisão anual das condições econômicas dos Estados Unidos. A dívida federal deverá atingir 75% do PIB e, como os prazos de vencimento estão encurtando, as necessidades brutas de financiamento do Tesouro deverão equivaler a 30% da riqueza produzida no país. Esse dinheiro, é fácil adivinhar, será obtido no mercado internacional e para isso o Tesouro terá de pagar, quase certamente, juros bem maiores que os da fase de prosperidade. Nenhum país ficará livre das consequências desse encarecimento do crédito. O caso americano é o mais notável apenas pela dimensão da economia dos Estados Unidos, mas todas as potências capitalistas deverão enfrentar dificuldades fiscais, depois dos enormes volumes de dinheiro lançados no mercado para combater a crise. No Reino Unido, o déficit público passou de 2,7% do PIB em 2007 para 7,1% em 2008, deve chegar a 12,9% em 2009 e poderá alcançar 13,25% no próximo ano fiscal, segundo os cálculos do FMI. No Japão, o déficit está projetado em 11,6% do PIB, este ano. Em 2008 chegou a 6,7%, pouco mais que o dobro do registrado em 2007, 3,3%. Quadros parecidos são encontrados quando se examinam as contas das outras grandes economias capitalistas. Na zona do euro, o limite de 3% do PIB para o déficit público, fixado para a convergência fiscal dos países-membros do clube, é hoje uma vaga memória. É parte da atividade normal do FMI o exame periódico das condições econômicas dos países sócios. As consultas entre os economistas do Fundo e o pessoal dos vários governos são previstas no artigo 4º do Acordo Constitutivo e as conclusões e recomendações são normalmente divulgadas. Nesta temporada, uma recomendação se repete em todo relatório produzido sobre as economias do mundo rico: embora a crise não esteja superada e falte completar algumas tarefas, com destaque para o ajuste do setor financeiro, é prudente pensar desde já numa estratégia de saída. Será preciso desmontar o enorme aparato financeiro de ajuda a bancos, empresas e famílias endividadas. Os governos terão, em alguns casos, de eliminar gradualmente os incentivos. "Com uma dívida pública já elevada, o custo da recessão e os estímulos fiscais devem piorar de forma considerável a perspectiva fiscal no médio prazo", está escrito no relatório sobre a França. O prognóstico se repete no material produzido pelas várias missões.Um grupo de economistas do FMI acaba de publicar um pequeno trabalho sobre a importância de apresentar publicamente o conjunto de "riscos fiscais no mundo pós-crise". Os próprios governos poderão atuar com maior segurança, de acordo com o documento, se estiverem preparados para avaliar as consequências possíveis dos problemas acumulados.O quadro se complica, desta vez, com grandes grupos em apuros. Neste ano, 128 companhias de peso já se tornaram insolventes e outras 207, segundo a Standard & Poor?s, poderão não evitar o calote. A convalescença global será uma fase ruim para quem precisar seriamente de financiamento. Mas o governo brasileiro insiste em aumentar os gastos permanentes, a começar pelos salários. Empenhado na campanha eleitoral, o presidente Lula expõe o País a perigos muito graves nos próximos anos. Alguém de fora do Palácio deveria alertá-lo com urgência.
Sunday, June 28, 2009
CHINA PUXA A ECONOMIA MUNDIAL P.SAIR DA CRISE
China começa a puxar retomada do crescimento de países emergentes
Ricardo Allan (Publicação: 28/06/2009 11:13 )
Superada a fase aguda da maior crise internacional das últimas sete décadas, os olhos dos observadores passaram a mirar a etapa seguinte: a retomada do crescimento global. As duas únicas potências capazes de fazer a roda voltar a girar são Estados Unidos e China. A primeira etapa da reaceleração, puxada pelo consumo chinês, já está em curso, mas terá alcance limitado. O mundo só sairá do atoleiro quando o segundo pelotão, impulsionado pelo retorno pleno dos norte-americanos às compras, marchar a partir de 2010.Em ambas as situações, o mecanismo de transmissão de desenvolvimento será o comércio exterior. Mostrando impressionante capacidade produtiva, a China deve crescer ao menos 8% este ano, um ritmo superior aos 6% estimados inicialmente. Isso será possível porque o governo apostou no sucesso dentro de casa, torrando US$ 687 bilhões em dinheiro público para incentivar a entrada de milhões de pessoas no mercado consumidor. Com isso, as importações de produtos agrícolas e minerais subiram, beneficiando as demais nações emergentes.No caso dos Estados Unidos, existe a presunção de que as medidas do governo Barack Obama para diminuir o nível de endividamento das famílias e resolver a escassez de crédito surtirão efeito a partir de 2010. Dessa forma, os consumidores voltarão a mostrar seu apetite voraz pelas compras, o que aquecerá o comércio, a indústria e o nível de emprego. Mais renda no bolso do trabalhador significará mais consumo, num círculo virtuoso que tirará o país da recessão. De novo, ele passará a importar em grandes quantidades, estimulando a indústria e o setor básico tanto dos demais países desenvolvidos como dos emergentes.%u201CO mundo continua refém dos Estados Unidos. Só eles têm a capacidade de bancar recuperação global firme. Achar que a China vai puxar a retomada do mundo é ilusão. O crescimento chinês só melhora o balanço de pagamento dos países que exportam produtos básicos para lá%u201D, afirma o economista Julio Sérgio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica. Os EUA respondem por 25% do produto mundial, enquanto os chineses ficam com 8,1%.De acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, a economia global vai sofrer contração de 1,3% este ano, mas crescerá 1,9% no que vem. Os EUA passariam de resultado negativo de 2,8% para a estabilidade, embora analistas independentes acreditem que eles podem crescer até 1% em 2010. O panorama das demais nações avançadas não é animador. Segunda maior economia global, o Japão teria retração de 6,2% em 2009 e retomada de 0,5% no ano seguinte. Na Zona do Euro, seriam dois resultados ruins: -4,2% e -0,4%.Nesse ambiente de baixa nas exportações, o Brasil se sai melhor por causa do bom mercado interno e por ser razoavelmente fechado às importações. %u201COs países emergentes com mercado doméstico grande, como China e Brasil, vão se destacar. Vamos crescer de 3,5% a 4% no ano que vem, mesmo se os desenvolvidos continuarem patinando. Os setores voltados para a demanda interna, como os de bens de consumo duráveis, vão sair na frente%u201D, prevê o economista-chefe da Tendências Consultoria, Juan Jensen.Nos Estados Unidos, a política de gastar US$ 787 bilhões em obras públicas para aquecer o nível de atividade pode dar um resultado no médio prazo, mas elevará o déficit fiscal a 13% do Produto Interno Bruto (PIB), batendo o recorde de 1942, quando o país entrou na Segunda Guerra Mundial. %u201CO aumento das despesas públicas será importante para evitar que os EUA entrem numa depressão, mas sair da recessão, só com o aumento do consumo%u201D, insiste Gomes de Almeida. Para Jensen, as famílias norte-americanas só vão se endividar novamente se tiverem confiança de que não perderão seus empregos.A Tendências projeta queda de 2,5% no PIB dos EUA este ano e crescimento de 1% em 2010. Na avaliação do diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, a diminuição na alavancagem nos empréstimos depois da crise vai reduzir o potencial de expansão da mundial. O volume de financiamentos concedidos pelos bancos (até 30 vezes superior aos seus ativos) foi uma das razões da crise, encolhendo a oferta de crédito e desanimando os consumidores a se endidarem, lembra Langoni.Capital seletivoEx-presidente do Banco Central, Langoni afirma que %u201Cnesse ambiente em que os capitais disponíveis para aplicação ficarão mais seletivos, vai sair ganhando quem tiver uma política econômica consistente e um mercado doméstico robusto. Os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) serão privilegiados na atração de investimentos%u201D, diz. Para ele, a recuperação será assimétrica, com vantagem para os emergentes. Os Estados Unidos, por exemplo, devem crescer metade das taxas vistas nos últimos 10 anos.%u201CA grande estrela da economia mundial continuará sendo a China. Ela está fazendo melhor do que todos a migração do mercado externo para o doméstico%u201D, assegura Langoni.O economista Armando Castelar Pinheiro, da Gávea Investimentos, não acredita que a recuperação global será sustentada por um ou outro país em particular. %u201CEstá havendo um alívio no mundo inteiro. O aumento das despesas públicas dá um alento, mas a solução virá do equilíbrio entre os países no comércio exterior
Ricardo Allan (Publicação: 28/06/2009 11:13 )
Superada a fase aguda da maior crise internacional das últimas sete décadas, os olhos dos observadores passaram a mirar a etapa seguinte: a retomada do crescimento global. As duas únicas potências capazes de fazer a roda voltar a girar são Estados Unidos e China. A primeira etapa da reaceleração, puxada pelo consumo chinês, já está em curso, mas terá alcance limitado. O mundo só sairá do atoleiro quando o segundo pelotão, impulsionado pelo retorno pleno dos norte-americanos às compras, marchar a partir de 2010.Em ambas as situações, o mecanismo de transmissão de desenvolvimento será o comércio exterior. Mostrando impressionante capacidade produtiva, a China deve crescer ao menos 8% este ano, um ritmo superior aos 6% estimados inicialmente. Isso será possível porque o governo apostou no sucesso dentro de casa, torrando US$ 687 bilhões em dinheiro público para incentivar a entrada de milhões de pessoas no mercado consumidor. Com isso, as importações de produtos agrícolas e minerais subiram, beneficiando as demais nações emergentes.No caso dos Estados Unidos, existe a presunção de que as medidas do governo Barack Obama para diminuir o nível de endividamento das famílias e resolver a escassez de crédito surtirão efeito a partir de 2010. Dessa forma, os consumidores voltarão a mostrar seu apetite voraz pelas compras, o que aquecerá o comércio, a indústria e o nível de emprego. Mais renda no bolso do trabalhador significará mais consumo, num círculo virtuoso que tirará o país da recessão. De novo, ele passará a importar em grandes quantidades, estimulando a indústria e o setor básico tanto dos demais países desenvolvidos como dos emergentes.%u201CO mundo continua refém dos Estados Unidos. Só eles têm a capacidade de bancar recuperação global firme. Achar que a China vai puxar a retomada do mundo é ilusão. O crescimento chinês só melhora o balanço de pagamento dos países que exportam produtos básicos para lá%u201D, afirma o economista Julio Sérgio Gomes de Almeida, professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica. Os EUA respondem por 25% do produto mundial, enquanto os chineses ficam com 8,1%.De acordo com as estimativas do Fundo Monetário Internacional, a economia global vai sofrer contração de 1,3% este ano, mas crescerá 1,9% no que vem. Os EUA passariam de resultado negativo de 2,8% para a estabilidade, embora analistas independentes acreditem que eles podem crescer até 1% em 2010. O panorama das demais nações avançadas não é animador. Segunda maior economia global, o Japão teria retração de 6,2% em 2009 e retomada de 0,5% no ano seguinte. Na Zona do Euro, seriam dois resultados ruins: -4,2% e -0,4%.Nesse ambiente de baixa nas exportações, o Brasil se sai melhor por causa do bom mercado interno e por ser razoavelmente fechado às importações. %u201COs países emergentes com mercado doméstico grande, como China e Brasil, vão se destacar. Vamos crescer de 3,5% a 4% no ano que vem, mesmo se os desenvolvidos continuarem patinando. Os setores voltados para a demanda interna, como os de bens de consumo duráveis, vão sair na frente%u201D, prevê o economista-chefe da Tendências Consultoria, Juan Jensen.Nos Estados Unidos, a política de gastar US$ 787 bilhões em obras públicas para aquecer o nível de atividade pode dar um resultado no médio prazo, mas elevará o déficit fiscal a 13% do Produto Interno Bruto (PIB), batendo o recorde de 1942, quando o país entrou na Segunda Guerra Mundial. %u201CO aumento das despesas públicas será importante para evitar que os EUA entrem numa depressão, mas sair da recessão, só com o aumento do consumo%u201D, insiste Gomes de Almeida. Para Jensen, as famílias norte-americanas só vão se endividar novamente se tiverem confiança de que não perderão seus empregos.A Tendências projeta queda de 2,5% no PIB dos EUA este ano e crescimento de 1% em 2010. Na avaliação do diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni, a diminuição na alavancagem nos empréstimos depois da crise vai reduzir o potencial de expansão da mundial. O volume de financiamentos concedidos pelos bancos (até 30 vezes superior aos seus ativos) foi uma das razões da crise, encolhendo a oferta de crédito e desanimando os consumidores a se endidarem, lembra Langoni.Capital seletivoEx-presidente do Banco Central, Langoni afirma que %u201Cnesse ambiente em que os capitais disponíveis para aplicação ficarão mais seletivos, vai sair ganhando quem tiver uma política econômica consistente e um mercado doméstico robusto. Os Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) serão privilegiados na atração de investimentos%u201D, diz. Para ele, a recuperação será assimétrica, com vantagem para os emergentes. Os Estados Unidos, por exemplo, devem crescer metade das taxas vistas nos últimos 10 anos.%u201CA grande estrela da economia mundial continuará sendo a China. Ela está fazendo melhor do que todos a migração do mercado externo para o doméstico%u201D, assegura Langoni.O economista Armando Castelar Pinheiro, da Gávea Investimentos, não acredita que a recuperação global será sustentada por um ou outro país em particular. %u201CEstá havendo um alívio no mundo inteiro. O aumento das despesas públicas dá um alento, mas a solução virá do equilíbrio entre os países no comércio exterior
Sunday, April 19, 2009
EUA : O PIOR DA RECESSÃO JÁ PASSOU
Diretores do BC dos EUA sugerem que o pior da recessão já passou
Publicidade ,18/04/2009 ,da Reutersda Folha Online
Dois dos principais membros do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) sugeriram neste sábado que o pior da crise financeira já passou no país. Donald Kohn, vice-presidente do Fed, e William Dudley (diretor da unidade regional do banco em Nova York) defenderam os cortes de juros e as injeções de capital na economia como forma de reativar o crescimento americano.
Os diretores foram questionados sobre a crise durante uma conferência na Universidade de Vanderbilt, em Nashville (no Estado do Tennessee). Para eles, a economia real ainda vai demorar algum tempo para mostrar os efeitos das medidas anticrise, mas o Fed e o governo têm sido bem-sucedidos em agir para retomar o crescimento.
Para Kohn, o "número dois" do Fed, a política em direção a uma taxa inflacionária de 2%, mais que um valor mais baixo, dá ao banco mais espaço para atuar em tempos de crise. "Essa flexibilidade poderia nos ajudar a facilitar ainda mais o crédito se a economia se mostrar resistente aos estímulos fiscais e monetários que já foram concedidos", disse.
Ele afirmou que, até agora, têm funcionado as tentativas do BC dos EUA para restaurar os mercados de crédito e recuperar a economia. Entre as decisões já tomadas pelo Fed está a redução da taxa de juros do país para algo entre zero e 0,25%.
William Dudley, presidente da unidade regional mais importante do Fed, afirmou que os programas emergenciais estão funcionando, apesar de muitos investidores ainda estarem assustados com os altos gastos propostos pelo governo para salvar bancos e as montadoras --no total, os pacotes do governo americano podem passar de US$ 1 trilhão.
A disputa política sobre os bônus dos bancos fez com que alguns investidores repensassem sobre colaborar com as medidas do Fed, disse. "É bom enfatizar que o que leva os investidores a correr determinados riscos, especialmente em um cenário de crise como esse, é o poder de garantir de crédito a taxas de juros interessantes."
Fluxo de crédito
Kohn destacou, no entanto, que qualquer expectativa por uma recuperação duradoura depende do sucesso do governo em estabilizar os mercados financeiros e fazer com que o fluxo de crédito seja restabelecido.
"A situação nos mercados financeiros e na economia poderia ter sido muito pior se o Fed não tivesse agido como agimos", afirmou.
Em seus atuais esforços para ajudar a impulsionar o mercado imobiliário, Kohn afirmou que o Fed está considerando incluir empréstimos para grandes hipotecas no Tarp (Programa de Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), programa aprovado em outubro do ano passado, na gestão do presidente George W. Bush. Contudo, ele não detalhou como a medida pode ser executada.
O vice-presidente do Fed foi questionado por Paul Volcker, ex-presidente do Fed e chefe do conselho assessor para a recuperação da economia do governo. Conhecido por seus cortes agressivos nas taxas de juros para conter a inflação nos anos 80, Volcker afirmou que a queda brusca na atividade econômica americana no fim de 2008 --marcado com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro-- pode não ter levado os EUA a uma "grande depressão", mas "colocou o país em uma grande recessão com certeza".
"Nenhum de nós havia presenciado uma diminuição da atividade econômica com a velocidade vista no ano passado", disse.
Mais crise
No caminho contrário do otimismo dos diretores do Fed, a economista suíça Beatrice di Mauro, primeira mulher a integrar o grupo de cinco peritos em economia que assessora o governo da Alemanha, disse que os piores efeitos da crise financeira ainda estão por vir e que é preciso rigor com os bancos que não estão preparados para superá-la.
"Houve uma ou duas notícias positivas que geraram certa euforia. Mas temo que, em muitos âmbitos, o pior esteja por vir", disse Di Mauro à edição do jornal "Berliner Zeitung" deste sábado.
Só agora os efeitos da crise global começaram a atingir o mercado de trabalho e as empresas, por isso muito pode acontecer ao longo do ano, acredita a especialista. Di Mauro também acha que os bancos sem condições de enfrentar a crise sozinhos não deveriam ser socorridos com o dinheiro do contribuinte.
"Não é possível que todos os bancos sejam de relevância para o sistema e que o contribuinte tenha que assumir quase completamente" sua recuperação, disse a especialista, para quem o governo deve começar a preparar os procedimentos necessários para que os bancos "sem um modelo de gestão que funcione" declarem sua quebra.
Com Efe
Publicidade ,18/04/2009 ,da Reutersda Folha Online
Dois dos principais membros do Fed (Federal Reserve, o Banco Central dos EUA) sugeriram neste sábado que o pior da crise financeira já passou no país. Donald Kohn, vice-presidente do Fed, e William Dudley (diretor da unidade regional do banco em Nova York) defenderam os cortes de juros e as injeções de capital na economia como forma de reativar o crescimento americano.
Os diretores foram questionados sobre a crise durante uma conferência na Universidade de Vanderbilt, em Nashville (no Estado do Tennessee). Para eles, a economia real ainda vai demorar algum tempo para mostrar os efeitos das medidas anticrise, mas o Fed e o governo têm sido bem-sucedidos em agir para retomar o crescimento.
Para Kohn, o "número dois" do Fed, a política em direção a uma taxa inflacionária de 2%, mais que um valor mais baixo, dá ao banco mais espaço para atuar em tempos de crise. "Essa flexibilidade poderia nos ajudar a facilitar ainda mais o crédito se a economia se mostrar resistente aos estímulos fiscais e monetários que já foram concedidos", disse.
Ele afirmou que, até agora, têm funcionado as tentativas do BC dos EUA para restaurar os mercados de crédito e recuperar a economia. Entre as decisões já tomadas pelo Fed está a redução da taxa de juros do país para algo entre zero e 0,25%.
William Dudley, presidente da unidade regional mais importante do Fed, afirmou que os programas emergenciais estão funcionando, apesar de muitos investidores ainda estarem assustados com os altos gastos propostos pelo governo para salvar bancos e as montadoras --no total, os pacotes do governo americano podem passar de US$ 1 trilhão.
A disputa política sobre os bônus dos bancos fez com que alguns investidores repensassem sobre colaborar com as medidas do Fed, disse. "É bom enfatizar que o que leva os investidores a correr determinados riscos, especialmente em um cenário de crise como esse, é o poder de garantir de crédito a taxas de juros interessantes."
Fluxo de crédito
Kohn destacou, no entanto, que qualquer expectativa por uma recuperação duradoura depende do sucesso do governo em estabilizar os mercados financeiros e fazer com que o fluxo de crédito seja restabelecido.
"A situação nos mercados financeiros e na economia poderia ter sido muito pior se o Fed não tivesse agido como agimos", afirmou.
Em seus atuais esforços para ajudar a impulsionar o mercado imobiliário, Kohn afirmou que o Fed está considerando incluir empréstimos para grandes hipotecas no Tarp (Programa de Alívio de Ativos Problemáticos, na sigla em inglês), programa aprovado em outubro do ano passado, na gestão do presidente George W. Bush. Contudo, ele não detalhou como a medida pode ser executada.
O vice-presidente do Fed foi questionado por Paul Volcker, ex-presidente do Fed e chefe do conselho assessor para a recuperação da economia do governo. Conhecido por seus cortes agressivos nas taxas de juros para conter a inflação nos anos 80, Volcker afirmou que a queda brusca na atividade econômica americana no fim de 2008 --marcado com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro-- pode não ter levado os EUA a uma "grande depressão", mas "colocou o país em uma grande recessão com certeza".
"Nenhum de nós havia presenciado uma diminuição da atividade econômica com a velocidade vista no ano passado", disse.
Mais crise
No caminho contrário do otimismo dos diretores do Fed, a economista suíça Beatrice di Mauro, primeira mulher a integrar o grupo de cinco peritos em economia que assessora o governo da Alemanha, disse que os piores efeitos da crise financeira ainda estão por vir e que é preciso rigor com os bancos que não estão preparados para superá-la.
"Houve uma ou duas notícias positivas que geraram certa euforia. Mas temo que, em muitos âmbitos, o pior esteja por vir", disse Di Mauro à edição do jornal "Berliner Zeitung" deste sábado.
Só agora os efeitos da crise global começaram a atingir o mercado de trabalho e as empresas, por isso muito pode acontecer ao longo do ano, acredita a especialista. Di Mauro também acha que os bancos sem condições de enfrentar a crise sozinhos não deveriam ser socorridos com o dinheiro do contribuinte.
"Não é possível que todos os bancos sejam de relevância para o sistema e que o contribuinte tenha que assumir quase completamente" sua recuperação, disse a especialista, para quem o governo deve começar a preparar os procedimentos necessários para que os bancos "sem um modelo de gestão que funcione" declarem sua quebra.
Com Efe
Saturday, April 11, 2009
CHINA ESTIMULA LA ECONOMIA
China economic stimulus starting to work: premier
BEIJING (AFP) – Measures taken by China to combat the global economic crisis are beginning to show results, state media Saturday quoted Premier Wen Jiabao as saying, ahead of first quarter results due next week.
"The economic indicators for the first quarter will be published next week but I can tell you that the measures we have taken are beginning to show their first results," Wen said at a meeting with the Chinese community in Thailand, according to the China News Agency.
In a video recording of Wen's address, released on the website of Hong Kong's Phoenix TV, Wen said that investment flows and demand had increased. He did not give precise figures.
"The difficult situation that some sectors and businesses were in is beginning to change... credits and loans are increasing rapidly," he added.
"The economic situation is starting to change in a positive way, the situation is better than we had expected."
Chinese authorities in November unveiled an unprecedented four trillion yuan (455-billion-dollar) stimulus package to combat the crisis.
In the fourth quarter of last year, China's economy grew only 6.8 percent. Economic growth for 2008 was nine percent, down from 13 percent in 2007.
BEIJING (AFP) – Measures taken by China to combat the global economic crisis are beginning to show results, state media Saturday quoted Premier Wen Jiabao as saying, ahead of first quarter results due next week.
"The economic indicators for the first quarter will be published next week but I can tell you that the measures we have taken are beginning to show their first results," Wen said at a meeting with the Chinese community in Thailand, according to the China News Agency.
In a video recording of Wen's address, released on the website of Hong Kong's Phoenix TV, Wen said that investment flows and demand had increased. He did not give precise figures.
"The difficult situation that some sectors and businesses were in is beginning to change... credits and loans are increasing rapidly," he added.
"The economic situation is starting to change in a positive way, the situation is better than we had expected."
Chinese authorities in November unveiled an unprecedented four trillion yuan (455-billion-dollar) stimulus package to combat the crisis.
In the fourth quarter of last year, China's economy grew only 6.8 percent. Economic growth for 2008 was nine percent, down from 13 percent in 2007.
Monday, April 6, 2009
RETRACCION DE LA ECONOMIA LATINOAMERICANA
Cepal prevê recuo de 0,3% na economia da América Latina e do Caribe em 2009 Da Agência Brasil
Brasília - A economia da América Latina e do Caribe deve recuar 0,3% em 2009, a primeira retração em seis anos de crescimento. A taxa de desemprego regional aumentará em cerca de 9%. As projeções foram divulgadas no último dia 1º pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a Cepal, os países mais afetados devem ser México (-2,0% de queda), Brasil (-1,0%), Costa Rica (-0,5%) e Paraguay (-0,5%), enquanto que Panamá, Peru, Cuba y Bolívia manteriam um crescimento igual ou superior a 3%. Já o Equador e o Chile não teriam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos nesses países, em 2009.
De acordo com a Cepal, os efeitos negativos também devem ser observados no comércio exterior e na redução dos preços das commodities (produtos primários). Haverá redução das exportações, o que afetará principalmente a economias abertas como México, além de redução das remessas internacionais e de ingresso de recursos por meio do turismo, principalmente no Caribe. Também deve haver redução nos fluxos de investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia).
“Isso se dá em um contexto de crescente incerteza em nível regional e global que afeta as expectativas do setor privado, com conseqüências negativas sobre o investimento e o consumo”, diz nota da Cepal.
Outra expectativa da Cepal é a redução do financiamento internacional. Apesar disso, a Cepal considera que as economias da região têm solidez para enfrentar os impactos financeiros, porque aproveitaram a bonança de anos anteriores para acumular reservas e diminuir o endividamento.
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Brasília - A economia da América Latina e do Caribe deve recuar 0,3% em 2009, a primeira retração em seis anos de crescimento. A taxa de desemprego regional aumentará em cerca de 9%. As projeções foram divulgadas no último dia 1º pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU).
Segundo a Cepal, os países mais afetados devem ser México (-2,0% de queda), Brasil (-1,0%), Costa Rica (-0,5%) e Paraguay (-0,5%), enquanto que Panamá, Peru, Cuba y Bolívia manteriam um crescimento igual ou superior a 3%. Já o Equador e o Chile não teriam crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos nesses países, em 2009.
De acordo com a Cepal, os efeitos negativos também devem ser observados no comércio exterior e na redução dos preços das commodities (produtos primários). Haverá redução das exportações, o que afetará principalmente a economias abertas como México, além de redução das remessas internacionais e de ingresso de recursos por meio do turismo, principalmente no Caribe. Também deve haver redução nos fluxos de investimento estrangeiro direto (caracterizado pelo interesse duradouro do investidor na economia).
“Isso se dá em um contexto de crescente incerteza em nível regional e global que afeta as expectativas do setor privado, com conseqüências negativas sobre o investimento e o consumo”, diz nota da Cepal.
Outra expectativa da Cepal é a redução do financiamento internacional. Apesar disso, a Cepal considera que as economias da região têm solidez para enfrentar os impactos financeiros, porque aproveitaram a bonança de anos anteriores para acumular reservas e diminuir o endividamento.
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Saturday, April 4, 2009
PACOTE PARA O COMERCIO NA CRISE
Pacote para comércio deve atingir US$ 250 bi
PARIS - O G-20 prepara um pacote bilionário de financiamento ao comércio internacional, para reverter a dramática queda nas exportações e importações. Fontes europeias estimam que a soma disponível para os próximos dois anos pode ficar perto de US$ 250 bilhões, mais do que o dobro do que previa o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
O Banco Mundial fala em programa de liquidez de US$ 50 bilhões para o comércio. Mas o pacote será complementado por agências de financiamento ao comércio exterior. O Japão anunciou ontem um pacote de US$ 22 bilhões e os EUA já tinham acenado com US$ 100 bilhões. A União Europeia também oficializou seu apoio à iniciativa do G-20, sem mencionar cifras. A contribuição virá de cada país individualmente, através de suas agências de financiamento ao comércio. Bancos regionais de desenvolvimento igualmente vão colocar dinheiro.
A comissária europeia de Comércio, Catherine Ashton, e o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquin Almunia, advertiram que a falta de recursos para as trocas globais está aumentando. Esse déficit passou de US$ 25 bilhões ao final do ano passado para cerca de US$ 300 bilhões agora, colocando em risco o fluxo comercial.
Segundo os comissários, mesmo companhias com encomendas certas não são capazes de embarcar seus produtos, o que ameaça sobretudo pequenas e médias empresas. No curto prazo, os governos e instituições internacionais vão tentar cobrir a falta de recursos, com o pacote do G-20.
A queda livre do comércio internacional foi ilustrada ontem com nova projeção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de contração de 13,2% nas trocas este ano, bem acima dos 9% estimados pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Depois de ter crescimento médio de 8% nos últimos anos, as exportações e importações entraram em colapso no último trimestre do ano passado, afetando todas as regiões e registrando os piores resultados em décadas.
Para a OCDE, a contração não pode ser explicada apenas pela diminuição do financiamento ao comércio em seguida à relutância dos bancos em emprestar.
A seca de financiamento é maior do que em crises anteriores, mas sobretudo parece haver um vínculo mais forte do que se pensava entre atividade e comércio como resultado da globalização das cadeias de suprimento de mercadorias.
A OCDE nota a queda sem precedente da atividade em termos de severidade e alto grau de sincronização com o colapso do comércio internacional. Para o primeiro trimestre deste ano, a estimativa é de queda de 22,7% nas trocas globais.
As economias que mais sofreram com a queda das exportações foram a Alemanha e o Japão, entre os países industrializados -e mais do que sofreram os países mais afetados pela crise financeira.
O valor das exportações em países da Ásia caiu mais de 30% também no primeiro trimestre deste ano. Essa excepcional contração pode ter fim ainda este ano, na avaliação da OCDE.
A entidade estima que queda poderá ser contida mais para o final do ano e registrar uma " recuperação robusta " em 2010 graças principalmente ao crescimento de emergentes como China, Índia e Brasil.
(Assis Moreira Valor Econômico)
PARIS - O G-20 prepara um pacote bilionário de financiamento ao comércio internacional, para reverter a dramática queda nas exportações e importações. Fontes europeias estimam que a soma disponível para os próximos dois anos pode ficar perto de US$ 250 bilhões, mais do que o dobro do que previa o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
O Banco Mundial fala em programa de liquidez de US$ 50 bilhões para o comércio. Mas o pacote será complementado por agências de financiamento ao comércio exterior. O Japão anunciou ontem um pacote de US$ 22 bilhões e os EUA já tinham acenado com US$ 100 bilhões. A União Europeia também oficializou seu apoio à iniciativa do G-20, sem mencionar cifras. A contribuição virá de cada país individualmente, através de suas agências de financiamento ao comércio. Bancos regionais de desenvolvimento igualmente vão colocar dinheiro.
A comissária europeia de Comércio, Catherine Ashton, e o comissário europeu de Assuntos Econômicos e Monetários, Joaquin Almunia, advertiram que a falta de recursos para as trocas globais está aumentando. Esse déficit passou de US$ 25 bilhões ao final do ano passado para cerca de US$ 300 bilhões agora, colocando em risco o fluxo comercial.
Segundo os comissários, mesmo companhias com encomendas certas não são capazes de embarcar seus produtos, o que ameaça sobretudo pequenas e médias empresas. No curto prazo, os governos e instituições internacionais vão tentar cobrir a falta de recursos, com o pacote do G-20.
A queda livre do comércio internacional foi ilustrada ontem com nova projeção da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), de contração de 13,2% nas trocas este ano, bem acima dos 9% estimados pela Organização Mundial do Comércio (OMC).
Depois de ter crescimento médio de 8% nos últimos anos, as exportações e importações entraram em colapso no último trimestre do ano passado, afetando todas as regiões e registrando os piores resultados em décadas.
Para a OCDE, a contração não pode ser explicada apenas pela diminuição do financiamento ao comércio em seguida à relutância dos bancos em emprestar.
A seca de financiamento é maior do que em crises anteriores, mas sobretudo parece haver um vínculo mais forte do que se pensava entre atividade e comércio como resultado da globalização das cadeias de suprimento de mercadorias.
A OCDE nota a queda sem precedente da atividade em termos de severidade e alto grau de sincronização com o colapso do comércio internacional. Para o primeiro trimestre deste ano, a estimativa é de queda de 22,7% nas trocas globais.
As economias que mais sofreram com a queda das exportações foram a Alemanha e o Japão, entre os países industrializados -e mais do que sofreram os países mais afetados pela crise financeira.
O valor das exportações em países da Ásia caiu mais de 30% também no primeiro trimestre deste ano. Essa excepcional contração pode ter fim ainda este ano, na avaliação da OCDE.
A entidade estima que queda poderá ser contida mais para o final do ano e registrar uma " recuperação robusta " em 2010 graças principalmente ao crescimento de emergentes como China, Índia e Brasil.
(Assis Moreira Valor Econômico)
REAÇOES POSITIVAS A LA CUMBRE DEL G -20 EM LONDRES
Mercados animados com decisões do G20
Londres, 3 de Abril de 2009 - "Este é o dia em que o mundo se uniu para lutar contra a recessão global", disse ontem o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, no encerramento da reunião do G20 em Londres. "Nossa mensagem hoje é clara e positiva: acreditamos que os problemas globais requerem soluções globais."
Tentando reduzir as distâncias entre as filosofias políticas e financeiras, os líderes de vinte e quatro das maiores economias do mundo concordaram ontem com um amplo leque de novas medidas fiscais e reguladoras, em um esforço desesperado para revitalizar a economia global, que inclui garantias de US$ 1,1 trilhão para ajudar países em dificuldades. Outras medidas incluem severas regulamentações sobre os fundos hedge e as agências de classificação, assim como veto aos paraísos fiscais.
As notícias positivas por parte do G20 animaram os mercados ao redor do mundo. Na Europa, as altas nas bolsas variaram entre 4% e 6%, movimento seguido pelas praças americanas, onde o Dow Jones subiu 2,79% e o Nasdaq, 3,29%. No Brasil, os mercados acompanharam o otimismo geral. O Ibovespa fechou em alta de 4,19%, num pregão responsável pelo maior movimento financeiro do ano, de R$ 5,89 bilhões.
Londres, 3 de Abril de 2009 - "Este é o dia em que o mundo se uniu para lutar contra a recessão global", disse ontem o primeiro-ministro britânico Gordon Brown, no encerramento da reunião do G20 em Londres. "Nossa mensagem hoje é clara e positiva: acreditamos que os problemas globais requerem soluções globais."
Tentando reduzir as distâncias entre as filosofias políticas e financeiras, os líderes de vinte e quatro das maiores economias do mundo concordaram ontem com um amplo leque de novas medidas fiscais e reguladoras, em um esforço desesperado para revitalizar a economia global, que inclui garantias de US$ 1,1 trilhão para ajudar países em dificuldades. Outras medidas incluem severas regulamentações sobre os fundos hedge e as agências de classificação, assim como veto aos paraísos fiscais.
As notícias positivas por parte do G20 animaram os mercados ao redor do mundo. Na Europa, as altas nas bolsas variaram entre 4% e 6%, movimento seguido pelas praças americanas, onde o Dow Jones subiu 2,79% e o Nasdaq, 3,29%. No Brasil, os mercados acompanharam o otimismo geral. O Ibovespa fechou em alta de 4,19%, num pregão responsável pelo maior movimento financeiro do ano, de R$ 5,89 bilhões.
AUMENTOU O DESEMPREGO NOS EUA
A economia norte-americana fechou mais 663 mil vagas em março, elevando o número de desempregados no país a 5,1 milhões desde o início da atual recessão, em dezembro de 2007. A taxa de desemprego aumentou de 8,1% para 8,5%, maior percentual desde 1983. No total, existem hoje 13,2 milhões de desempregados nos EUA.
Thursday, April 2, 2009
G-20 CONTRA A CRISE - REUNION DE LONDRES 2 DE ABRIL 2009
G20 anuncia recursos contra a crise, mas avança pouco em regulação do mercado financeiro Mylena Fiori Repórter da Agência Brasil
Brasília - Apesar da tenttiva de um novo Consenso de Washington, com o redesenho do sistema financeiro internacional, o principal anúncio da cúpula do G20 financeiro, realizada hoje (2) em Londres, foi a promessa de mais recursos para atenuar os efeitos da crise econômica global. Os líderes decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para restaurar o crédito e os empregos e retomar a trajetória de crescimento da economia mundial. Estima-se que, até até o fim de 2010, o montante chegue a US$ 5 trilhões e a produção mundial aumente em 4%.
A cifra de US$ 1,1 trilhão, previamente negociada por ministros da economia e presidentes de bancos centrais, foi anunciada no encerramento do encontro de líderes das maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do planeta.
A maior parte dos recursos, US$ 750 bilhões, será para reforçar o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, US$ 250 bilhões se destinarão ao financiamento do comércio nos próximos dois anos e outros US$ 250 bilhões serão para apoio ao SDR (Direito Especial de Saques, na sigla em inglês) e pelo menos US$ 100 bilhões irão para os bancos multilaterais de desenvolvimento (como o Banco Mundial), de acordo com o documento final da cúpula). Há ainda intenção de direcionar US$ 6 bilhões da venda de ouro das reservas do FMI aos países mais pobres nos próximos dois ou três anos.
Os países membros do FMI se comprometeram a turbinar imediatamente o fundo com US$ 250 bilhões. Até mesmo o Brasil deve contribuir, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda não confirmou valores.. O aumento de aportes para o fundo estava condicionado à reforma da instituição, com maior participação decisória dos emergentes. Os líderes do G20 também se comprometeram com a “reforma e modernização” das instituições financeiras globais, como já haviam feito na Cúpula de Washington, em novembro, mas deram um passo nessa direção, propondo uma nova revisão do sistema de quotas do fundo até janeiro de 2011. Também prometeram avançar nas discussões sobre a representação no Banco Mundial de forma a se chegar a um acordo na reunião do primeiro semestre de 2010.
Os líderes do G20 financeiro também se comprometeram a promover os “esforços” fiscais necessários à retomada do crescimento e promover o “desenvolvimento verde”, já com foco na Conferência do Clima de Copenhague, marcada para dezembro deste ano, onde deve ser negociado um acordo para redução de gases de efeito estufa pós Protocolo de Quioto.
Como na Cúpula de Washington, os governantes condenaram o fechamento dos mercados como reação à crise financeira e se comprometeram a não adotar medidas protecionistas até o final de 2010.. Na reunião anterior, haviam se comprometido a não adotar medidas protecionistas até o final de 2009, mas não cumpriram. Relatório recém-divulgado pelo Banco Mundial mostrou que 17 dos 10 países do G20 financeiro – inclusive o Brasil – adotaram medidas restritivas ao comércio desde a reunião de novembro.
Mais uma vez, os líderes defenderam a conclusão da Rodada Doha como forma de estimular as trocas comerciais e, assim, superar a recessão mundial. O presidente norte-americano, Barack Obama, teria aceitado retomar as negociações na cúpula do G8, marcada para julho, na Itália.
Quanto ao tema central do encontro – a regulamentação e supervisão do sistema financeiro internacional - os líderes limitaram-se a reiterar a necessidade de regras. Todos concordaram em reforçar seus próprios sistemas regulatórios – como defendiam os Estados Unidos – e se propuseram a aprofundar a cooperação e estabelecer princípios internacionais comuns. Também declararam guerra aos paraísos fiscais.
Os americanos conseguiram convencer os europeus a ampliar seus programas de combate à recessão, mas não foi dessa vez que o mundo conseguiu convencer a maior economia do planeta a aceitar a criação de um órgão regulador supranacional. Para compensar, o G20 financeiro anunciou a substituição do FSF (Fórum de Estabilidade Financeira, na sigla em inglês) pelo FSB (Conselho de Estabilidade Financeira) – teoricamente com mandato reforçado, o novo órgão reunirá todos os países do G20 financeiro, integrantes do FSF, a Espanha e a Comissão Européia.
Brasília - Apesar da tenttiva de um novo Consenso de Washington, com o redesenho do sistema financeiro internacional, o principal anúncio da cúpula do G20 financeiro, realizada hoje (2) em Londres, foi a promessa de mais recursos para atenuar os efeitos da crise econômica global. Os líderes decidiram destinar US$ 1,1 trilhão para restaurar o crédito e os empregos e retomar a trajetória de crescimento da economia mundial. Estima-se que, até até o fim de 2010, o montante chegue a US$ 5 trilhões e a produção mundial aumente em 4%.
A cifra de US$ 1,1 trilhão, previamente negociada por ministros da economia e presidentes de bancos centrais, foi anunciada no encerramento do encontro de líderes das maiores economias desenvolvidas e em desenvolvimento do planeta.
A maior parte dos recursos, US$ 750 bilhões, será para reforçar o Fundo Monetário Internacional (FMI). Desse total, US$ 250 bilhões se destinarão ao financiamento do comércio nos próximos dois anos e outros US$ 250 bilhões serão para apoio ao SDR (Direito Especial de Saques, na sigla em inglês) e pelo menos US$ 100 bilhões irão para os bancos multilaterais de desenvolvimento (como o Banco Mundial), de acordo com o documento final da cúpula). Há ainda intenção de direcionar US$ 6 bilhões da venda de ouro das reservas do FMI aos países mais pobres nos próximos dois ou três anos.
Os países membros do FMI se comprometeram a turbinar imediatamente o fundo com US$ 250 bilhões. Até mesmo o Brasil deve contribuir, mas o ministro da Fazenda, Guido Mantega, ainda não confirmou valores.. O aumento de aportes para o fundo estava condicionado à reforma da instituição, com maior participação decisória dos emergentes. Os líderes do G20 também se comprometeram com a “reforma e modernização” das instituições financeiras globais, como já haviam feito na Cúpula de Washington, em novembro, mas deram um passo nessa direção, propondo uma nova revisão do sistema de quotas do fundo até janeiro de 2011. Também prometeram avançar nas discussões sobre a representação no Banco Mundial de forma a se chegar a um acordo na reunião do primeiro semestre de 2010.
Os líderes do G20 financeiro também se comprometeram a promover os “esforços” fiscais necessários à retomada do crescimento e promover o “desenvolvimento verde”, já com foco na Conferência do Clima de Copenhague, marcada para dezembro deste ano, onde deve ser negociado um acordo para redução de gases de efeito estufa pós Protocolo de Quioto.
Como na Cúpula de Washington, os governantes condenaram o fechamento dos mercados como reação à crise financeira e se comprometeram a não adotar medidas protecionistas até o final de 2010.. Na reunião anterior, haviam se comprometido a não adotar medidas protecionistas até o final de 2009, mas não cumpriram. Relatório recém-divulgado pelo Banco Mundial mostrou que 17 dos 10 países do G20 financeiro – inclusive o Brasil – adotaram medidas restritivas ao comércio desde a reunião de novembro.
Mais uma vez, os líderes defenderam a conclusão da Rodada Doha como forma de estimular as trocas comerciais e, assim, superar a recessão mundial. O presidente norte-americano, Barack Obama, teria aceitado retomar as negociações na cúpula do G8, marcada para julho, na Itália.
Quanto ao tema central do encontro – a regulamentação e supervisão do sistema financeiro internacional - os líderes limitaram-se a reiterar a necessidade de regras. Todos concordaram em reforçar seus próprios sistemas regulatórios – como defendiam os Estados Unidos – e se propuseram a aprofundar a cooperação e estabelecer princípios internacionais comuns. Também declararam guerra aos paraísos fiscais.
Os americanos conseguiram convencer os europeus a ampliar seus programas de combate à recessão, mas não foi dessa vez que o mundo conseguiu convencer a maior economia do planeta a aceitar a criação de um órgão regulador supranacional. Para compensar, o G20 financeiro anunciou a substituição do FSF (Fórum de Estabilidade Financeira, na sigla em inglês) pelo FSB (Conselho de Estabilidade Financeira) – teoricamente com mandato reforçado, o novo órgão reunirá todos os países do G20 financeiro, integrantes do FSF, a Espanha e a Comissão Européia.
G-20 1,1 TRILLON DE US$ P/ PAISES POBRES - CRISE FINANCIERA MUNDIAL
G20 destinará US$ 1,1 trilhão a países pobres prejudicados pela crise financeira Fernando Freire Enviado Especial da EBC
Londres - O líderes das 20 maiores economias do mundo e países emergentes vão destinar US$ 1,1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a instituição ajude os países mais pobres, prejudicados pela crise financeira internacional.
A informação foi dada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em pronunciamento no encontro do G20, em Londres.
No total, o grupo deverá disponibilizar recursos que poderão atingir US$ 5 trilhões até o final de 2010, provenientes da expansão fiscal. O objetivo é gerar emprego, estimular a volta do crédito e fazer com que as economias cresçam, pelo menos, 4% ao ano.
Daqui a pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva na embaixada brasileira em Londres, quando falará dos resultados da reunião em se discutiu como superar a crise financeira internacional.
Londres - O líderes das 20 maiores economias do mundo e países emergentes vão destinar US$ 1,1 trilhão ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que a instituição ajude os países mais pobres, prejudicados pela crise financeira internacional.
A informação foi dada pelo primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, em pronunciamento no encontro do G20, em Londres.
No total, o grupo deverá disponibilizar recursos que poderão atingir US$ 5 trilhões até o final de 2010, provenientes da expansão fiscal. O objetivo é gerar emprego, estimular a volta do crédito e fazer com que as economias cresçam, pelo menos, 4% ao ano.
Daqui a pouco, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concede entrevista coletiva na embaixada brasileira em Londres, quando falará dos resultados da reunião em se discutiu como superar a crise financeira internacional.
Sunday, March 22, 2009
O FMI E A LINHA DE CREDITO DE 100 BILHOES
Fundo Monetário Internacional tenta atrair os países emergentes para uma linha de crédito de US$ 100 bilhões, aberta em outubro, que não recebeu a proposta de nenhum interessado. A ideia para tornar o financiamento mais atraente é impor menos condições para a tomada de empréstimo: os países que queiram o crédito só vão pagar juros se realmente utilizarem o dinheiro. Haverá também redução de taxas e o prazo do financiamento deverá ser alongado em até um ano. Os países-alvo do FMI são, segundo o The Wall Street Journal, aqueles que escaparam do pior da crise até agora, mas têm tido dificuldades pela queda na oferta de crédito bancário - entre eles, o Brasil.
Sunday, March 15, 2009
EXPECTATIVA DEL MUNDO PARA 2009
EXPECTATIVA DEL MUNDO
Revista EXAME A grande questão para 2009 é como as maiores economias vão reagir à mais grave crise global desde a década de 30. Os holofotes estarão voltados para o novo presidente americano, Barack Obama. . Uma discussão que deve dominar as agendas será como coibir fraudes e abusos no mundo corporativo, práticas que estiveram por trás de muitos dos prejuízos bilionários que vieram à tona em 2008. Essas e outras tendências para os próximos meses são abordadas a seguir. apenas porque sua eleição marca o ponto final de uma das mais desastradas administrações da maior potência do planeta mas também porque a missão - ou melhor, as missões - que se impõe a Obama é do interesse do mundo todo. Como se diz no mundo das empresas, somos todos stakeholders da futura administração Obama.. Caberá a Obama estender a mão a antigos aliados que viraram as costas para os Estados Unidos. Asumir um país com uma dívida de mais de 10 trilhões de dólares e um déficit orçamentário de 1 trilhão de dólares projetado para 2009, incluindo na conta o fundo de salvamento dos bancos. Sua campanha eleitoral durou quase dois anos, e um ponto que nunca deixou de ser mencionado nos discursos do democrata foi a reforma do sistema público de saúde. Obama prometeu cobertura universal aos mais de 300 milhões de americanos. Já presidente eleito, anunciou um programa de investimentos em obras de infra-estrutura para reanimar a economia. O capital político está garantido pelo menos nos dois primeiros anos do governo, pois os democratas têm o controle das duas casas do Congresso. O Federal Reserve, o banco central americano, terá pouca margem de manobra para fazer a economia pegar no tranco. O indicado para o Tesouro, Timothy Geithner, já provou sua competência no manejo da crise dos Tigres Asiáticos, dez anos atrás, quando era subsecretário do Tesouro. Geithner também fez parte da tropa de elite que teve de encontrar às pressas as respostas para o terremoto financeiro causado pelo estouro da bolha imobiliária. Mas nunca na história um secretário do Tesouro assumiu o cargo com tanta responsabilidade. Além da magnitude da crise, os eventos do mês de outubro provocaram uma intervenção econômica impensável na pátria do neoliberalismo e mudaram para sempre a expectativa que se tem sobre a atuação do governo em tempos de turbulência. Manter as cada vez mais fluidas barreiras que separam o Estado da iniciativa privada será outra incumbência de Obama. Além das implicações práticas da ajuda às três grandes montadoras - decidida no governo Bush, é verdade, mas com apoio declarado do novo presidente -, não faltarão leituras doutrinárias sobre o papel da mão visível e pesada do Estado nas democracias de todo o mundo. Um artigo recente do jornalista Thomas Friedman, articulista do The New York Times, é um indicador da confusão ideológica que parece tomar conta do mundo. "É difícil evitar a conclusão de que os Estados Unidos e a China estão se tornando dois países, um sistema", escreveu Friedman, um trocadilho cruelmente preciso com a famosa frase usada pelo líder chinês Deng Xiaoping para descrever o convívio entre o comunismo da China e o capitalismo de Hong Kong. A única certeza que existe é que o primeiro ano de Obama será uma decepção. Não poderia ser diferente. Ele carrega as esperanças de milhões de americanos e de bilhões de não-americanos que não puderam votar em novembro, mas que contavam os dias para ver o fim de um governo que foi unanimidade em suas trapalhadas e erros de avaliação. Consertar esse legado desastroso e lidar com uma crise econômica cujas reais dimensões até hoje não são conhecidas são duas tarefas que podem consumir uma geração, não um mandato de quatro anos. E nessa conta não entram chineses, indianos e brasileiros, cujo ímpeto consumidor será determinante para uma recuperação mais rápida e menos dolorosa da economia mundial. Nas duas frentes mais importantes, a política externa e a economia, Obama montou equipes estreladas e de competência reconhecida. Antes mesmo de assumir, deu indicações claras de seu plano de ação nas áreas que exigirão cuidado mais urgente. E não parou por aí. Prometeu mudar o curso da política energética americana e abandonar o vício do petróleo com investimentos em energias renováveis. Ao mesmo tempo, não poderá ir de encontro aos poderosos interesses da indústria petrolífera do país. A alguns interlocutores, disse ser favorável a manter as políticas de abertura comercial. Para outros, disse que os americanos não mais perderão seus empregos para estrangeiros. Administrar a enorme expectativa criada em torno de sua imagem - e que ele sem dúvida ajudou a alimentar - já seria trabalho suficiente para encher a agenda de 2009 de Obama. Haja torcida. Sérgio Teixeira Jr. BRASIL As expectativas vão ditar o tom Num momento de grande incerteza, a percepção do futuro é um indicador fundamental para saber o que esperar da economia brasileira em 2009 Num artigo recente, o economista Robert Shiller, professor da Universidade Yale que ficou célebre ao descrever a "exuberância irracional" da bolsa de valores americana nos anos 90, levantou mais um desafio para o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. Para Shiller, além de colocar em prática medidas de estímulo à economia, Obama teria de lançar um plano para criar empregos para todos. "Se o novo presidente tivesse o pleno emprego como meta, e se os americanos acreditassem que isso poderia ser atingido, o problema de falta de confiança (da população no futuro da economia) poderia ser rapidamente resolvido." As declarações de Shiller tocam num dos temas mais debatidos da teoria econômica e que ganhou relevância ainda maior em razão da crise global: a importância que as expectativas têm para determinar o desempenho de uma economia. "A percepção do que pode ocorrer no futuro é um componente vital do capitalismo", diz o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos. "Sem isso, empresas, indivíduos e governos não conseguem se planejar." O tema foi abordado de forma profunda pela primeira vez pelo economista britânico John Maynard Keynes, nas primeiras décadas do século 20. Mais recentemente, alguns prêmios Nobel foram concedidos a economistas e psicólogos que voltaram a discutir o tema - um deles é o americano Robert Lucas, professor da Universidade de Chicago. Num momento de grande indefinição como o atual, as expectativas são um importante farol que indica o que pode ocorrer na economia mundial nos próximos meses. "As previsões se formam em cima de números reais do mercado e também por meio da troca de informações", diz Marco Aurélio Cabral, professor do Ibmec Rio de Janeiro. "Quando as empresas dizem que vão demitir, elas contribuem para formar expectativas." Da mesma maneira, o desempenho das bolsas de valores, das vendas de Natal e até dos gastos do Estado é um indicador poderoso do que investidores, empresários e governo esperam do futuro. Nos Estados Unidos, para onde quer que se olhe, o clima é de pessimismo, e o cenário, de pesada retração econômica. Isso é verdade quando se observa a forte baixa da bolsa de Nova York - o Índice Dow Jones caiu mais de 30% em 2008 até meados de dezembro - e quando se constata a melancolia de vendedores em lojas e cafés localizados próximos a Wall Street, o coração financeiro americano. No Brasil, entretanto, as expectativas em relação a 2009 fazem o país viver um aparente paradoxo. De um lado, os números gerais sobre a economia pintam um quadro de euforia. O produto interno bruto cresceu 6,8% no terceiro trimestre de 2008, frente ao mesmo intervalo do ano anterior. É um recorde para o período desde 1996, quando o IBGE iniciou a nova metodologia de cálculo do PIB. O país também está menos vulnerável a choques externos - o saldo de reservas internacionais soma cerca de 200 bilhões de dólares e está entre os maiores do mundo. As empresas, porém, passaram os últimos meses se preparando para o pior. As montadoras deram férias coletivas a milhares de funcionários e algumas das maiores companhias do país, como a Vale, já reduziram a produção e anunciaram demissões. Só em novembro, a indústria paulista fechou 34 000 postos de trabalho, segundo a Fiesp. "As companhias estão se antecipando à provável piora da situação do país, e fazer cortes é uma decisão perfeitamente racional. A crise está aí, há motivos para se preocupar", diz Edmar Bacha, consultor sênior do banco Itaú BBA. Embora existam incertezas sobre como a crise global vai influenciar a economia brasileira de fato, restam poucas dúvidas de que haverá menos crescimento econômico. A previsão média de consultorias especializadas e analistas de bancos e corretoras indica que o PIB crescerá ao redor de 2,5% em 2009. Pode parecer exagero demitir e reduzir a produção para se preparar para um ano em que a expansão deverá ficar próxima da média histórica dos últimos dez anos. O problema, novamente, tem a ver com expectativas. "As empresas vinham investindo, construindo fábricas e contratando pessoal com base numa perspectiva de crescimento acelerado, superior a 5%. O panorama mudou radicalmente em pouco tempo, e agora elas têm de se adaptar", diz Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Consultoria e ex-diretor do Banco Central. "A inércia de 2008 fará o PIB crescer 1% em 2009. Portanto, quando se fala em crescimento de 2%, na verdade isso significa adicionar apenas 1 ponto percentual a esse resultado, o que é bastante ruim." Parte da freada da economia deverá ser causada pela queda das exportações. Tudo indica que o menor crescimento mundial e a diminuição dos preços das commodities irão reduzir a quantidade e o valor dos produtos brasileiros vendidos no exterior. Além disso, a expansão mais conservadora do crédito, que foi um dos principais motores do consumo e dos investimentos das empresas nos últimos três anos, também deverá contribuir para segurar a economia em 2009. De acordo com um relatório especial do banco Votorantim, o volume de empréstimos e financiamentos, que chegou a aumentar cerca de 30% recentemente, deve apresentar uma expansão de apenas "um dígito" em 2009. "A redução dos financiamentos afetará os mercados de produtos de maior valor, como os automóveis", diz o relatório. Onde o crédito já rareou, as conseqüências foram visíveis e danosas. As vendas de veículos baixaram 26% em novembro frente ao mês anterior, o que levou o governo a anunciar um pacote de ajuda ao setor, com o corte de impostos. Se não é suficiente para reverter a queda de vendas, o pacote é mais um sinal de que 2009 promete ser um ano bem mais complicado do que foi 2008. A China é o fiel da balança O tamanho da crise neste ano novo vai depender do comportamento do gigante asiático Há 30 anos, a China iniciava um novo capítulo de sua história de dois milênios como nação. Numa reunião em dezembro de 1978, o Partido Comunista Chinês, no poder desde 1949, ratificava as primeiras medidas de uma série de reformas que transformaram a atrasada nação asiática num dos principais dínamos da economia mundial. Nas últimas três décadas, a China protagonizou a mais impressionante transformação econômica da história. Nesse período, multiplicou seu produto interno bruto por 68, assumindo a posição de quarta maior economia do mundo, com PIB de 3,4 trilhões de dólares em 2007. O salto na produção de riquezas tirou da pobreza cerca de 200 milhões de pessoas. A transformação chinesa fica ainda mais palpável nas imagens dos modernos arranha-céus de cidades como Pequim e Xangai e pôde ser contemplada em cadeia global há poucos meses, durante a transmissão da Olimpíada. Tamanha transformação não teve impacto apenas na vida de chineses. Hoje, em meio a uma das mais desafiadoras crises, o mundo inteiro volta-se para a China. O país é uma espécie de comissão de frente de um conjunto maior, o dos emergentes, que ganham importância econômica e geopolítica, em particular o bloco batizado de Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). crise sobre esses países Os desdobramentos dacrise, principalmente sobre a China, por sua dimensão e integração internacional, fará a diferença na economia em 2009. O ano novo nasce sob apreensão e dúvidas como há muito não ocorria. Entre previsões catastrofistas e otimistas, o cenário mais aceito entre economistas é o de um desempenho dos emergentes bem superior ao do mundo rico, que viverá uma crise de magnitude elevada. "Não que eles sejam capazes de salvar o mundo. Longe disso, mas continuarão a ganhar relevância", afirma Paulo Leme, diretor para mercados emergentes do banco Goldman Sachs. Todos, sem exceção, estão sofrendo as conseqüências da derrapada da economia americana. Um indicador do poderio da crise é o desempenho das exportações chinesas, que caíram 2% em novembro, depois de crescer 19% em outubro e 20% ao ano durante a década. Espera-se que, em 2009, as exportações avancem apenas 5%, devido à forte retração dos mercados americano e europeu, os mais abatidos pela derrocada financeira e consumidores de 40% das vendas chinesas. Haverá também redução de investimentos diretos estrangeiros, que jorraram nos últimos anos. O sucesso da China nas três últimas décadas impõe ao país a responsabilidade de produzir mais sucesso. Estima-se que o país tenha de crescer, pelo menos, 8% ao ano para absorver os 7 milhões de jovens que ingressam no mercado de trabalho anualmente. O discurso do presidente Hu Jintao durante as comemorações dos 30 anos das reformas acusou o peso da responsabilidade. "Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de alcançar o grande objetivo. Não podemos relaxar", afirmou ele. O "grande objetivo" é a prosperidade do povo chinês. Um pacote do governo anunciado em novembro deve injetar quase 600 bilhões de dólares na economia nos próximos anos. A ênfase das medidas está no crescimento doméstico. Os investimentos deverão se materializar em compras de cimento e metais e no aumento do consumo de energia. Relatórios do Banco Mundial, do Bradesco e do Credit Suisse apostam que o governo chinês conseguirá levar o país a crescer entre 7% e 8% em 2009. Nem todos os emergentes têm governos em condições chinesas, com reservas de mais de 1 trilhão de dólares e contas com superávit de quase 5%. A Rússia enfrenta situação mais delicada. Possui uma estrutura produtiva incapaz de atender ao mercado doméstico, o que a deixa mais exposta à inflação - em 2008, deve fechar em 14%, a mais alta dos emergentes. Ainda assim, as projeções para a economia russa são de crescimento de 3%. A Índia, cujo crescimento em 2009 é previsto em 5,5%, não poderá contar com muita ajuda do governo, às voltas com um déficit de 8% do PIB. E o país ainda sente o trauma dos recentes ataques terroristas em Mumbai, centro econômico do país. O Brasil deve ter o crescimento mais modesto do bloco, em torno de 2,5%, embora esteja em melhor situação que a Rússia e a Índia. A crise atual está servindo, sobretudo, para trazer à tona uma reflexão fundamental para qualquer sociedade moderna: afinal, qual a função do Estado? Essa reflexão costuma ser distorcida tanto pelos que advogam em favor do Estado mínimo como pelos defensores de um Leviatã todo-poderoso. "Em ambos os casos, a discussão não leva ao avanço, mas ao embaçamento do real papel do que chamamos de Estado, um agente essencial para qualquer sociedade civilizada", diz o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Argumentos enviesados servem ou para enfraquecê-lo e desprovê-lo de sua função de guardião das regras criadas pela própria sociedade ou para fortalecê-lo ao ponto de extrapolar seus domínios e transformá-lo num inibidor de iniciativas individuais, o maior motor de progresso da humanidade. oberta Paduan NEGÓCIOS A ética em debate O esquema Madoff é só mais um capítulo da série de escândalos em Wall Street. Dá para recuperar o sistema da ganância desenfreada de seus integrantes? Arecente prisão de Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq e até recentemente um dos nomes mais cultuados da comunidade financeira internacional, coroou uma inacreditável seqüência de escândalos em Wall Street, o coração do sistema capitalista internacional. Da noite para o dia, descobriu-se que Madoff liderou durante anos uma fraude que pode ultrapassar a marca de 50 bilhões de dólares, capaz de posicioná-lo com destaque em qualquer ranking dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia. Com mais esse capítulo, 2008 se inscreve definitivamente como um dos piores anos da história de Nova York, a cidade-símbolo das finanças globais. Não tanto pela queda abrupta das cotações e pelo subseqüente derretimento de fortunas construídas em anos anteriores - afinal, a instabilidade constitui a própria natureza do capitalismo financeiro, e cedo ou tarde as boas notícias voltarão. O que distingue o momento atual de outros períodos ruins para o mercado é a herança maldita em termos da crença nos pilares do sistema econômico. Desta vez, não foram crises na economia real, safras agrícolas frustradas, guerras ou um repique inflacionário que estiveram na origem das desvalorizações nas bolsas do mundo todo. A fonte dos problemas esteve, antes de tudo, no campo ético, na enorme falta de confiança. O que exatamente deu errado? É essa a discussão que vai consumir alguns dos melhores cérebros ao longo de 2009. O mal-estar que reina no mercado parte da percepção de que o esquema Madoff não foi apenas um escorregão bilionário de um empresário desonesto. Quando se olha o filme todo da crise financeira, o episódio Madoff não é lá muito diferente de tantos outros - a ponto de o economista Paul Krugman, o mais recente vencedor do prêmio Nobel, se referir à economia americana como a "economia Madoff": ganhos anuais milionários com base em produtos financeiros incompreensíveis; somas estrondosas aplicadas em investimentos de péssima qualidade, sempre com o aval das agências de risco. Em vez de cumprir seu papel de fazer o dinheiro circular das mãos de quem tem para as de quem precisa, o mercado financeiro transformou-se numa grande festa. Ao final dela, os investidores perderam quase tudo. Isso enquanto a fortuna dos homens pagos para cuidar de seu dinheiro, recebido de antemão quando o castelo de cartas ainda estava de pé, permanecia intacta. "Quão distinta, afinal, é a história de Madoff da indústria de investimentos como um todo?", pergunta Krugman. Não existem respostas fáceis para os problemas acumulados nos anos de euforia. Há pelo menos duas ordens de questões a ser enfrentadas. No primeiro grupo estão as de cunho técnico. O mundo financeiro necessariamente terá de evoluir, mas é preciso saber como a mudança se dará. Há consenso de que a regulação do sistema falhou. Ninguém sabe exatamente como consertá-la. Há consenso de que os ganhos de curtíssimo prazo dos gestores induzem ações irresponsáveis. Também nesse caso as soluções não são simples. As agências de avaliação de risco perderam o rumo em meio a um claro conflito de interesses - quem pagava pelos ratings eram as empresas a ser avaliadas. Pouco se avançou também nesse terreno. Certamente esses e outros pontos estarão em foco ao longo do ano que se inicia. Paralelamente ao debate econômico, é preciso que se busquem respostas também no terreno da ética propriamente dita - uma discussão que remonta aos gregos antigos e que certamente não será esgotada nos próximos 12 meses. Melhorias do sistema à parte, não dá para imaginar que os espaços para eventuais desvios de conduta sejam eliminados. Sempre haverá - felizmente - uma margem de manobra puramente individual. O que fazer se executivos desonestos se mostram afoitos para burlar as regras ao primeiro sinal de oportunidade? O que pode ser feito para incutir novamente valores num sistema que parece contaminado pela corrupção? A ironia é que as fraturas éticas do capitalismo surgem no momento de seu triunfo - quando até a ex-comunista China se vê no papel de estrela do sistema. Durante o período da Guerra Fria, a busca não era apenas de superioridade econômica. A disputa era igualmente ferrenha no campo dos valores - de um lado, a solidariedade do novo homem socialista, afinal liberto da milenar exploração de seus pares; de outro, a liberdade do indivíduo como ente supremo no reino capitalista, num ambiente de respeito às leis e ao direito do próximo. "Quando o capitalismo americano não precisou mais se preocupar com o comunismo, parece ter enlouquecido", escreveu recentemente o jornalista americano Thomas Friedman. A competição, engrenagem tão cara ao sistema capitalista, anda em falta no campo das idéias. Como não há sinal de outro sistema para confrontá-lo, desta vez a revolução ética terá de nascer de dentro do próprio capitalismo. André Lahoz ENERGIA A onda verde vai desbotar? A queda dramática no preço do petróleo vai ter impacto na busca por novas fontes energéticas - mas a inovação não deve parar Depois de um começo de ano animador para o setor de energias renováveis, com aumento nos volumes de investimento em fontes como biocombustíveis, eólica, solar e biomassa, os investidores e produtores das chamadas energias alternativas encerraram 2008 com um gosto amargo na boca - e o cenário deve ser ainda mais difícil em 2009. O desânimo que tomou conta do setor foi provocado, em grande parte, pela forte queda nos preços do petróleo a partir de setembro, quando eclodiu a crise financeira mundial. Os preços do barril atingiram impensáveis 147 dólares no meio do ano e tornaram atraentes os investimentos em tecnologias como a dos painéis solares, mas despencaram para cerca de 40 dólares em dezembro. Para analistas do setor - uma categoria que por ora anda em baixa - o preço do barril deve ficar na faixa de 45 dólares em 2009. "Nesse nível de preço, fica difícil pensar em energias alternativas no curto prazo", diz o biólogo Fernando Reinach, diretor da Votorantim Novos Negócios e um dos maiores especialistas em energia alternativa do país. Abandonar o vilão do aquecimento global é um objetivo nobre - mas, ao que tudo indica, cada vez menos investidores estarão dispostos a financiar essa empreitada. Além da queda dramática do preço do petróleo, o ano de 2009 vai ser de pouco crédito. E, sem dinheiro e disposição para correr riscos, é muito difícil fazer decolar a maioria das energias renováveis em estudo hoje. De acordo com a empresa de consultoria britânica New Energy Finance, especializada em energia, os investimentos em fontes renováveis chegaram a 142 bilhões de dólares em 2008, uma queda de 4% na comparação com o ano anterior. "Para 2009, a tendência é que a queda se acentue", diz Camila Ramos, analista da empresa no Brasil. Os números refletem o comportamento dos fundos de capital de risco estrangeiros, mas o mesmo fenômeno começa a ser observado por aqui. Está sumindo o dinheiro de quem entrou na onda por oportunismo. Até a primeira metade de 2008, o interesse por usinas de etanol era enorme. No segundo semestre, o sinal se inverteu: empresas de médio porte, como o grupo João Lyra e a Companhia Albertina, entraram em processo de recuperação judicial, e outras grandes companhias estão muito endividadas. Todas as indicações são de que o movimento vai continuar refluindo de forma severa em 2009. Com poucas perspectivas de que o etanol se torne uma commodity negociada em bolsas internacionais e uma produção maior do que a demanda mundial projetada para o próximo ano, o cenário é pouco animador. O cenário é ruim, mas não é de caos. Não se imagina que programas de desenvolvimento de energias renováveis sejam deixados de lado de uma hora para outra, como aconteceu com o Proálcool nos anos 80. Naquela época, o preço do barril do petróleo despencou, e os usineiros, sem subsídios do governo, passaram a usar a cana para produzir açúcar. Os carros movidos a álcool tornaram-se um péssimo negócio, e boa parte da frota foi convertida para rodar com gasolina. Os tempos, porém, eram outros. Não havia a ameaça do aquecimento global, e a preocupação com o dano causado pela queima de combustíveis fósseis era algo restrito a acadêmicos e a um nascente movimento ambientalista. Hoje, a pressão pela preservação do meio ambiente já começa a provocar profundas mudanças estruturais em algumas das indústrias mais tradicionais do planeta, como a de automóveis. A demanda por veículos menos poluentes foi um dos pontos que levaram as montadoras americanas à pior crise da história. Ao mesmo tempo, fabricantes de veículos híbridos, que queimam menos combustível, ganharam mercado. A viabilidade financeira das novas fontes de energia é essencial, mas haverá uma pressão crescente para que governos subsidiem pelo menos parte do desenvolvimento de alternativas energéticas limpas. Durante a campanha, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu iniciar um programa de redução das emissões americanas em 80% até 2050. Obama nomeou o Nobel de Física Steve Chu para o cargo de secretário de energia de seu governo. Chu é um defensor declarado de fontes renováveis de energia, e sua escolha mostra o comprometimento do próximo presidente americano com o tema. Poucos duvidam que o compromisso americano com o tema é essencial para que as tecnologias de energias renováveis tenham impacto global. Outro alento é o fato incontornável de que o consumo energético mundial vai continuar crescendo, independentemente do preço do barril de petróleo ou dos humores das bolsas. Segundo uma estimativa da Agência Internacional de Energia, serão necessários 26 trilhões de dólares em investimentos até 2030 para satisfazer a demanda mundial. As empresas do setor serão responsáveis por apenas metade desse valor. O restante, calcula a AIE, virá de novas empresas e também dos governos. No Brasil, além do impacto esperado no setor de etanol, deve haver uma considerável desaceleração no desenvolvimento de campos eólicos, na utilização de bagaço de cana para a geração de eletricidade e nos investimentos em geração solar. Nos leilões de energia realizados em 2008, os preços oferecidos pelo governo não atraíram os produtores - e o enorme potencial de produção das hidrelétricas, principal fonte de eletricidade do país, é um complicador a mais. Diante da crise, não deverá haver aumento no preço e, conseqüentemente, os projetos deverão ser revistos. "Mas não há bem que seja eterno, assim como não há mal que não se acabe", diz o economista Oscar Pimentel, consultor na área de energia. O petróleo continua sendo uma fonte de energia finita, e as fontes renováveis serão necessárias no futuro. Resta saber como será a travessia durante o período de turbulência. Marcelo Onaga CLIMA A conta do aquecimento Dezembro de 2009 é o prazo final para que países emergentes e desenvolvidos cheguem a um acordo sobre o controle de emissões - e o impasse permanece O ano de 2008 foi um dos dez mais quentes dos últimos 160, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia. Em 2009, o que deve esquentar são as discussões sobre o futuro do planeta. Estão na reta final as negociações das metas para a segunda fase do Protocolo de Kyoto, o acordo global que tem o objetivo de reduzir as emissões dos gases que causam o efeito estufa. A primeira fase, que entrou em vigor de fato em 2004 e vai até 2012, estabeleceu limites de emissões apenas para os países industrializados. Mas, a partir da próxima etapa, todos os signatários do documento podem ser chamados a dar sua contribuição no combate ao aquecimento global - e isso inclui as estrelas emergentes China, Índia, Rússia e Brasil. O prazo para que se chegue a um acordo sobre o formato da segunda fase de Kyoto se esgota em dezembro de 2009. É pouco tempo, diante das enormes diferenças diplomáticas que ainda dividem ricos e emergentes e das dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos sob nova administração. Uma das grandes quedas-de-braço que se anunciam para o próximo ano é a que vai opor os países do bloco Bric e as nações industrializadas. Brasileiros, russos, indianos e chineses alegam que não podem ser obrigados a pagar a conta da industrialização do mundo desenvolvido, que durante mais de um século poluiu a atmosfera sem nenhuma preocupação com o clima. Reduzir as emissões, segue o argumento, significa frear o crescimento econômico de países que só nos últimos anos viveram uma fase de aceleração econômica. Mas o indiano Rajendra Pachauri, presidente do órgão da ONU responsável por Kyoto e vencedor do Nobel da Paz de 2007, refutou essa linha de raciocínio de forma categórica na mais recente negociação internacional, realizada no início de dezembro, na Polônia. Para que o aumento da temperatura média global fique no aceitável nível de 2 graus centígrados, afirmou Pachauri, a atividade econômica teria de pagar um preço modesto. "O custo seria de 3% do PIB mundial em 2030", disse ele. Ainda não há nenhuma definição sobre o que vai acontecer dentro de três anos. Mas, se os emergentes tiverem mesmo de cortar suas emissões, haverá duas situações bastante distintas. China e Índia serão forçadas a encontrar formas para substituir a queima de carvão nas usinas termelétricas que empurram seus respectivos milagres econômicos. A carga maior, portanto, recairá sobre as empresas. No Brasil, cuja eletricidade vem em sua maior parte das ambientalmente corretas hidrelétricas, a receita seria um combate decidido ao desmatamento da Amazônia, responsável por três quartos das emissões de CO2 do país. O governo brasileiro apresentou na reunião polonesa um plano de diminuir em 40% a devastação florestal até o final de 2009. O plano tem ainda duas fases seguintes, que vão até 2017 e têm metas igualmente agressivas. Enquanto se desenrola o intenso vaivém diplomático até a reunião de dezembro, marcada para Copenhague, a capital dinamarquesa, outro evento fundamental para as discussões sobre o clima vai acontecer nos Estados Unidos. Barack Obama se muda para a Casa Branca em 20 de janeiro. Poucos acreditam que o democrata vá aderir ao Protocolo de Kyoto - os americanos não assinaram o documento da ONU e, portanto, não estão obrigados a cumprir metas. Mas Obama prometeu pesados cortes nas emissões americanas. Mesmo que fora do acordo formal, uma nova postura dos maiores poluidores do mundo poderia facilitar um consenso global? Quem acompanha a batalha de perto acredita que não. "As metas oferecidas por Obama estão aquém do proposto em Kyoto", diz o gerente de sustentabilidade da consultoria PricewaterhouseCoopers, Ernesto Cavasin. "E Kyoto já provou ser insuficiente." A temperatura está subindo no planeta - e também na complicada política internacional do clima. Luiza Dalmazo INTERNET Inundação de bits Vídeos e músicas aumentam como nunca o tráfego mundial de dados - e colocam à prova a capacidade da rede Os jogos de Pequim marcaram a história olímpica pelos números grandiosos. Foram 10 708 atletas, 70 000 voluntários e 42 bilhões de dólares em investimentos, a maior verba de todos os tempos. Outros resultados expressivos e surpreendentes foram vistos na internet. Pela primeira vez na história, os direitos de transmissão pela rede foram vendidos separadamente. A emissora americana NBC, dona do pacote para exibição online nos Estados Unidos, transmitiu nada menos que 2 200 horas de esportes, ou 30 milhões de vídeos. Parece muito? Pois isso é meramente um oitavo do volume diário trafegado pelo gigante YouTube. Até mesmo as emissoras de TV aprenderam a lição. A própria NBC, em parceria com a Fox, lançou o site de vídeos Hulu para exibir programas e filmes - e vender publicidade. Com imagens de boa qualidade, uma extensa programação e menos de um ano de vida, o Hulu entrou para a lista dos dez maiores sites de vídeo americanos. O ano que está terminando marcou a explosão dos vídeos online - e levantou um alerta ao redor do mundo: será que a internet vai agüentar o tranco? Os usuários finais respondem hoje por 70% do tráfego total da internet e são os que mais pressionam a infra-estrutura da web. Programas de compartilhamento de músicas - os chamados sistemas peer-to- peer -, jogos online e transmissão de vídeos pela internet representaram um total de 4,2 exabytes por mês na rede em 2008. Isso equivale a quase 1 bilhão de DVDs. Esse volume deve quadruplicar até 2012, segundo um estudo da fabricante de equipamentos de rede Cisco. O motor para o crescimento do consumo serão os novos serviços multimídia. Embora muitos dos novos serviços ainda não estejam disponíveis para todas as regiões (o Hulu não pode ser acessado do Brasil, por exemplo), já são 137,5 milhões os internautas que assistem a vídeos pela internet, número que vai se aproximar de 190 milhões em 2012, segundo a empresa de pesquisas ComScore. "As redes de hoje não conseguirão lidar com as demandas de tráfego do futuro", afirma Alan Mauldin, analista da empresa de pesquisas TeleGeography Research. "As operadoras precisarão investir muito para aumentar sua capacidade." Em tese, as empresas de telecomunicações deveriam entrar em um novo ciclo de pesados investimentos de infra-estrutura, pois quando as redes atuais foram construídas a expectativa era que os vídeos demorassem mais tempo para ganhar popularidade. Mas, em tempos de crise financeira mundial, não existem garantias de que isso vá ocorrer, o que aumenta as preocupações com eventuais congestionamentos da internet ao longo dos próximos anos. Uma possibilidade aventada é a diminuição da margem de segurança do tráfego da web em relação à capacidade da rede. A maioria das operadoras trabalha com folga de cerca de 30% de sua capacidade. Essa banda extra é usada em picos eventuais. Já se fala na indústria em reduzir essas margens a cerca de 20% da capacidade instalada. A mais polêmica das alternativas é acabar com o princípio da neutralidade da rede. Se as redes fossem estradas, as operadoras gostariam de criar pistas expressas, nais quais é cobrado pedágio. Dessa forma, produtores de conteúdo ou prestadores de serviço poderiam ver seu direito de passagem garantido até o usuário final. Sistemas de troca ilegal de arquivos, como o cada vez mais popular BitTorrent, não. As operadoras argumentam que os investimentos nas redes são enormes, e esse custo tem de ser dividido. Os defensores das redes neutras, nas quais não há distinção entre os bits que por elas trafegam, rebatem: o pedágio sufoca a inovação. Uma empresa como o Google certamente não teria condição de pagar pela pista expressa no início de sua vida. Teria chance reduzida de alcançar a importância que tem hoje, portanto. Mas a ameaça do congestionamento na internet parece ser tão iminente que o próprio Google, notório defensor do princípio da neutralidade, estaria disposto a entrar em negociação com operadoras e provedores de acesso para não arriscar a ficar desconectado dos internautas. Em 2009, a pressão estará sobre operadoras, provedores de acesso e sobre os governos, responsáveis pelas regras de uso das redes. Os consumidores já deixaram claro que querem conexões cada vez mais velozes, capazes de levar e trazer músicas, filmes e programas de TV com qualidade e comodidade. A questão é como fazer isso de forma economicamente viável, sem prejuízo à concorrência e, acima de tudo, a tempo de evitar um apagão da web. Camila Fusco
Revista EXAME A grande questão para 2009 é como as maiores economias vão reagir à mais grave crise global desde a década de 30. Os holofotes estarão voltados para o novo presidente americano, Barack Obama. . Uma discussão que deve dominar as agendas será como coibir fraudes e abusos no mundo corporativo, práticas que estiveram por trás de muitos dos prejuízos bilionários que vieram à tona em 2008. Essas e outras tendências para os próximos meses são abordadas a seguir. apenas porque sua eleição marca o ponto final de uma das mais desastradas administrações da maior potência do planeta mas também porque a missão - ou melhor, as missões - que se impõe a Obama é do interesse do mundo todo. Como se diz no mundo das empresas, somos todos stakeholders da futura administração Obama.. Caberá a Obama estender a mão a antigos aliados que viraram as costas para os Estados Unidos. Asumir um país com uma dívida de mais de 10 trilhões de dólares e um déficit orçamentário de 1 trilhão de dólares projetado para 2009, incluindo na conta o fundo de salvamento dos bancos. Sua campanha eleitoral durou quase dois anos, e um ponto que nunca deixou de ser mencionado nos discursos do democrata foi a reforma do sistema público de saúde. Obama prometeu cobertura universal aos mais de 300 milhões de americanos. Já presidente eleito, anunciou um programa de investimentos em obras de infra-estrutura para reanimar a economia. O capital político está garantido pelo menos nos dois primeiros anos do governo, pois os democratas têm o controle das duas casas do Congresso. O Federal Reserve, o banco central americano, terá pouca margem de manobra para fazer a economia pegar no tranco. O indicado para o Tesouro, Timothy Geithner, já provou sua competência no manejo da crise dos Tigres Asiáticos, dez anos atrás, quando era subsecretário do Tesouro. Geithner também fez parte da tropa de elite que teve de encontrar às pressas as respostas para o terremoto financeiro causado pelo estouro da bolha imobiliária. Mas nunca na história um secretário do Tesouro assumiu o cargo com tanta responsabilidade. Além da magnitude da crise, os eventos do mês de outubro provocaram uma intervenção econômica impensável na pátria do neoliberalismo e mudaram para sempre a expectativa que se tem sobre a atuação do governo em tempos de turbulência. Manter as cada vez mais fluidas barreiras que separam o Estado da iniciativa privada será outra incumbência de Obama. Além das implicações práticas da ajuda às três grandes montadoras - decidida no governo Bush, é verdade, mas com apoio declarado do novo presidente -, não faltarão leituras doutrinárias sobre o papel da mão visível e pesada do Estado nas democracias de todo o mundo. Um artigo recente do jornalista Thomas Friedman, articulista do The New York Times, é um indicador da confusão ideológica que parece tomar conta do mundo. "É difícil evitar a conclusão de que os Estados Unidos e a China estão se tornando dois países, um sistema", escreveu Friedman, um trocadilho cruelmente preciso com a famosa frase usada pelo líder chinês Deng Xiaoping para descrever o convívio entre o comunismo da China e o capitalismo de Hong Kong. A única certeza que existe é que o primeiro ano de Obama será uma decepção. Não poderia ser diferente. Ele carrega as esperanças de milhões de americanos e de bilhões de não-americanos que não puderam votar em novembro, mas que contavam os dias para ver o fim de um governo que foi unanimidade em suas trapalhadas e erros de avaliação. Consertar esse legado desastroso e lidar com uma crise econômica cujas reais dimensões até hoje não são conhecidas são duas tarefas que podem consumir uma geração, não um mandato de quatro anos. E nessa conta não entram chineses, indianos e brasileiros, cujo ímpeto consumidor será determinante para uma recuperação mais rápida e menos dolorosa da economia mundial. Nas duas frentes mais importantes, a política externa e a economia, Obama montou equipes estreladas e de competência reconhecida. Antes mesmo de assumir, deu indicações claras de seu plano de ação nas áreas que exigirão cuidado mais urgente. E não parou por aí. Prometeu mudar o curso da política energética americana e abandonar o vício do petróleo com investimentos em energias renováveis. Ao mesmo tempo, não poderá ir de encontro aos poderosos interesses da indústria petrolífera do país. A alguns interlocutores, disse ser favorável a manter as políticas de abertura comercial. Para outros, disse que os americanos não mais perderão seus empregos para estrangeiros. Administrar a enorme expectativa criada em torno de sua imagem - e que ele sem dúvida ajudou a alimentar - já seria trabalho suficiente para encher a agenda de 2009 de Obama. Haja torcida. Sérgio Teixeira Jr. BRASIL As expectativas vão ditar o tom Num momento de grande incerteza, a percepção do futuro é um indicador fundamental para saber o que esperar da economia brasileira em 2009 Num artigo recente, o economista Robert Shiller, professor da Universidade Yale que ficou célebre ao descrever a "exuberância irracional" da bolsa de valores americana nos anos 90, levantou mais um desafio para o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama. Para Shiller, além de colocar em prática medidas de estímulo à economia, Obama teria de lançar um plano para criar empregos para todos. "Se o novo presidente tivesse o pleno emprego como meta, e se os americanos acreditassem que isso poderia ser atingido, o problema de falta de confiança (da população no futuro da economia) poderia ser rapidamente resolvido." As declarações de Shiller tocam num dos temas mais debatidos da teoria econômica e que ganhou relevância ainda maior em razão da crise global: a importância que as expectativas têm para determinar o desempenho de uma economia. "A percepção do que pode ocorrer no futuro é um componente vital do capitalismo", diz o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros, sócio da Quest Investimentos. "Sem isso, empresas, indivíduos e governos não conseguem se planejar." O tema foi abordado de forma profunda pela primeira vez pelo economista britânico John Maynard Keynes, nas primeiras décadas do século 20. Mais recentemente, alguns prêmios Nobel foram concedidos a economistas e psicólogos que voltaram a discutir o tema - um deles é o americano Robert Lucas, professor da Universidade de Chicago. Num momento de grande indefinição como o atual, as expectativas são um importante farol que indica o que pode ocorrer na economia mundial nos próximos meses. "As previsões se formam em cima de números reais do mercado e também por meio da troca de informações", diz Marco Aurélio Cabral, professor do Ibmec Rio de Janeiro. "Quando as empresas dizem que vão demitir, elas contribuem para formar expectativas." Da mesma maneira, o desempenho das bolsas de valores, das vendas de Natal e até dos gastos do Estado é um indicador poderoso do que investidores, empresários e governo esperam do futuro. Nos Estados Unidos, para onde quer que se olhe, o clima é de pessimismo, e o cenário, de pesada retração econômica. Isso é verdade quando se observa a forte baixa da bolsa de Nova York - o Índice Dow Jones caiu mais de 30% em 2008 até meados de dezembro - e quando se constata a melancolia de vendedores em lojas e cafés localizados próximos a Wall Street, o coração financeiro americano. No Brasil, entretanto, as expectativas em relação a 2009 fazem o país viver um aparente paradoxo. De um lado, os números gerais sobre a economia pintam um quadro de euforia. O produto interno bruto cresceu 6,8% no terceiro trimestre de 2008, frente ao mesmo intervalo do ano anterior. É um recorde para o período desde 1996, quando o IBGE iniciou a nova metodologia de cálculo do PIB. O país também está menos vulnerável a choques externos - o saldo de reservas internacionais soma cerca de 200 bilhões de dólares e está entre os maiores do mundo. As empresas, porém, passaram os últimos meses se preparando para o pior. As montadoras deram férias coletivas a milhares de funcionários e algumas das maiores companhias do país, como a Vale, já reduziram a produção e anunciaram demissões. Só em novembro, a indústria paulista fechou 34 000 postos de trabalho, segundo a Fiesp. "As companhias estão se antecipando à provável piora da situação do país, e fazer cortes é uma decisão perfeitamente racional. A crise está aí, há motivos para se preocupar", diz Edmar Bacha, consultor sênior do banco Itaú BBA. Embora existam incertezas sobre como a crise global vai influenciar a economia brasileira de fato, restam poucas dúvidas de que haverá menos crescimento econômico. A previsão média de consultorias especializadas e analistas de bancos e corretoras indica que o PIB crescerá ao redor de 2,5% em 2009. Pode parecer exagero demitir e reduzir a produção para se preparar para um ano em que a expansão deverá ficar próxima da média histórica dos últimos dez anos. O problema, novamente, tem a ver com expectativas. "As empresas vinham investindo, construindo fábricas e contratando pessoal com base numa perspectiva de crescimento acelerado, superior a 5%. O panorama mudou radicalmente em pouco tempo, e agora elas têm de se adaptar", diz Ilan Goldfajn, sócio da Ciano Consultoria e ex-diretor do Banco Central. "A inércia de 2008 fará o PIB crescer 1% em 2009. Portanto, quando se fala em crescimento de 2%, na verdade isso significa adicionar apenas 1 ponto percentual a esse resultado, o que é bastante ruim." Parte da freada da economia deverá ser causada pela queda das exportações. Tudo indica que o menor crescimento mundial e a diminuição dos preços das commodities irão reduzir a quantidade e o valor dos produtos brasileiros vendidos no exterior. Além disso, a expansão mais conservadora do crédito, que foi um dos principais motores do consumo e dos investimentos das empresas nos últimos três anos, também deverá contribuir para segurar a economia em 2009. De acordo com um relatório especial do banco Votorantim, o volume de empréstimos e financiamentos, que chegou a aumentar cerca de 30% recentemente, deve apresentar uma expansão de apenas "um dígito" em 2009. "A redução dos financiamentos afetará os mercados de produtos de maior valor, como os automóveis", diz o relatório. Onde o crédito já rareou, as conseqüências foram visíveis e danosas. As vendas de veículos baixaram 26% em novembro frente ao mês anterior, o que levou o governo a anunciar um pacote de ajuda ao setor, com o corte de impostos. Se não é suficiente para reverter a queda de vendas, o pacote é mais um sinal de que 2009 promete ser um ano bem mais complicado do que foi 2008. A China é o fiel da balança O tamanho da crise neste ano novo vai depender do comportamento do gigante asiático Há 30 anos, a China iniciava um novo capítulo de sua história de dois milênios como nação. Numa reunião em dezembro de 1978, o Partido Comunista Chinês, no poder desde 1949, ratificava as primeiras medidas de uma série de reformas que transformaram a atrasada nação asiática num dos principais dínamos da economia mundial. Nas últimas três décadas, a China protagonizou a mais impressionante transformação econômica da história. Nesse período, multiplicou seu produto interno bruto por 68, assumindo a posição de quarta maior economia do mundo, com PIB de 3,4 trilhões de dólares em 2007. O salto na produção de riquezas tirou da pobreza cerca de 200 milhões de pessoas. A transformação chinesa fica ainda mais palpável nas imagens dos modernos arranha-céus de cidades como Pequim e Xangai e pôde ser contemplada em cadeia global há poucos meses, durante a transmissão da Olimpíada. Tamanha transformação não teve impacto apenas na vida de chineses. Hoje, em meio a uma das mais desafiadoras crises, o mundo inteiro volta-se para a China. O país é uma espécie de comissão de frente de um conjunto maior, o dos emergentes, que ganham importância econômica e geopolítica, em particular o bloco batizado de Bric (Brasil, Rússia, Índia e China). crise sobre esses países Os desdobramentos dacrise, principalmente sobre a China, por sua dimensão e integração internacional, fará a diferença na economia em 2009. O ano novo nasce sob apreensão e dúvidas como há muito não ocorria. Entre previsões catastrofistas e otimistas, o cenário mais aceito entre economistas é o de um desempenho dos emergentes bem superior ao do mundo rico, que viverá uma crise de magnitude elevada. "Não que eles sejam capazes de salvar o mundo. Longe disso, mas continuarão a ganhar relevância", afirma Paulo Leme, diretor para mercados emergentes do banco Goldman Sachs. Todos, sem exceção, estão sofrendo as conseqüências da derrapada da economia americana. Um indicador do poderio da crise é o desempenho das exportações chinesas, que caíram 2% em novembro, depois de crescer 19% em outubro e 20% ao ano durante a década. Espera-se que, em 2009, as exportações avancem apenas 5%, devido à forte retração dos mercados americano e europeu, os mais abatidos pela derrocada financeira e consumidores de 40% das vendas chinesas. Haverá também redução de investimentos diretos estrangeiros, que jorraram nos últimos anos. O sucesso da China nas três últimas décadas impõe ao país a responsabilidade de produzir mais sucesso. Estima-se que o país tenha de crescer, pelo menos, 8% ao ano para absorver os 7 milhões de jovens que ingressam no mercado de trabalho anualmente. O discurso do presidente Hu Jintao durante as comemorações dos 30 anos das reformas acusou o peso da responsabilidade. "Ainda temos um longo caminho a percorrer antes de alcançar o grande objetivo. Não podemos relaxar", afirmou ele. O "grande objetivo" é a prosperidade do povo chinês. Um pacote do governo anunciado em novembro deve injetar quase 600 bilhões de dólares na economia nos próximos anos. A ênfase das medidas está no crescimento doméstico. Os investimentos deverão se materializar em compras de cimento e metais e no aumento do consumo de energia. Relatórios do Banco Mundial, do Bradesco e do Credit Suisse apostam que o governo chinês conseguirá levar o país a crescer entre 7% e 8% em 2009. Nem todos os emergentes têm governos em condições chinesas, com reservas de mais de 1 trilhão de dólares e contas com superávit de quase 5%. A Rússia enfrenta situação mais delicada. Possui uma estrutura produtiva incapaz de atender ao mercado doméstico, o que a deixa mais exposta à inflação - em 2008, deve fechar em 14%, a mais alta dos emergentes. Ainda assim, as projeções para a economia russa são de crescimento de 3%. A Índia, cujo crescimento em 2009 é previsto em 5,5%, não poderá contar com muita ajuda do governo, às voltas com um déficit de 8% do PIB. E o país ainda sente o trauma dos recentes ataques terroristas em Mumbai, centro econômico do país. O Brasil deve ter o crescimento mais modesto do bloco, em torno de 2,5%, embora esteja em melhor situação que a Rússia e a Índia. A crise atual está servindo, sobretudo, para trazer à tona uma reflexão fundamental para qualquer sociedade moderna: afinal, qual a função do Estado? Essa reflexão costuma ser distorcida tanto pelos que advogam em favor do Estado mínimo como pelos defensores de um Leviatã todo-poderoso. "Em ambos os casos, a discussão não leva ao avanço, mas ao embaçamento do real papel do que chamamos de Estado, um agente essencial para qualquer sociedade civilizada", diz o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros. Argumentos enviesados servem ou para enfraquecê-lo e desprovê-lo de sua função de guardião das regras criadas pela própria sociedade ou para fortalecê-lo ao ponto de extrapolar seus domínios e transformá-lo num inibidor de iniciativas individuais, o maior motor de progresso da humanidade. oberta Paduan NEGÓCIOS A ética em debate O esquema Madoff é só mais um capítulo da série de escândalos em Wall Street. Dá para recuperar o sistema da ganância desenfreada de seus integrantes? Arecente prisão de Bernard Madoff, ex-presidente da bolsa eletrônica Nasdaq e até recentemente um dos nomes mais cultuados da comunidade financeira internacional, coroou uma inacreditável seqüência de escândalos em Wall Street, o coração do sistema capitalista internacional. Da noite para o dia, descobriu-se que Madoff liderou durante anos uma fraude que pode ultrapassar a marca de 50 bilhões de dólares, capaz de posicioná-lo com destaque em qualquer ranking dos maiores esquemas de corrupção de que se tem notícia. Com mais esse capítulo, 2008 se inscreve definitivamente como um dos piores anos da história de Nova York, a cidade-símbolo das finanças globais. Não tanto pela queda abrupta das cotações e pelo subseqüente derretimento de fortunas construídas em anos anteriores - afinal, a instabilidade constitui a própria natureza do capitalismo financeiro, e cedo ou tarde as boas notícias voltarão. O que distingue o momento atual de outros períodos ruins para o mercado é a herança maldita em termos da crença nos pilares do sistema econômico. Desta vez, não foram crises na economia real, safras agrícolas frustradas, guerras ou um repique inflacionário que estiveram na origem das desvalorizações nas bolsas do mundo todo. A fonte dos problemas esteve, antes de tudo, no campo ético, na enorme falta de confiança. O que exatamente deu errado? É essa a discussão que vai consumir alguns dos melhores cérebros ao longo de 2009. O mal-estar que reina no mercado parte da percepção de que o esquema Madoff não foi apenas um escorregão bilionário de um empresário desonesto. Quando se olha o filme todo da crise financeira, o episódio Madoff não é lá muito diferente de tantos outros - a ponto de o economista Paul Krugman, o mais recente vencedor do prêmio Nobel, se referir à economia americana como a "economia Madoff": ganhos anuais milionários com base em produtos financeiros incompreensíveis; somas estrondosas aplicadas em investimentos de péssima qualidade, sempre com o aval das agências de risco. Em vez de cumprir seu papel de fazer o dinheiro circular das mãos de quem tem para as de quem precisa, o mercado financeiro transformou-se numa grande festa. Ao final dela, os investidores perderam quase tudo. Isso enquanto a fortuna dos homens pagos para cuidar de seu dinheiro, recebido de antemão quando o castelo de cartas ainda estava de pé, permanecia intacta. "Quão distinta, afinal, é a história de Madoff da indústria de investimentos como um todo?", pergunta Krugman. Não existem respostas fáceis para os problemas acumulados nos anos de euforia. Há pelo menos duas ordens de questões a ser enfrentadas. No primeiro grupo estão as de cunho técnico. O mundo financeiro necessariamente terá de evoluir, mas é preciso saber como a mudança se dará. Há consenso de que a regulação do sistema falhou. Ninguém sabe exatamente como consertá-la. Há consenso de que os ganhos de curtíssimo prazo dos gestores induzem ações irresponsáveis. Também nesse caso as soluções não são simples. As agências de avaliação de risco perderam o rumo em meio a um claro conflito de interesses - quem pagava pelos ratings eram as empresas a ser avaliadas. Pouco se avançou também nesse terreno. Certamente esses e outros pontos estarão em foco ao longo do ano que se inicia. Paralelamente ao debate econômico, é preciso que se busquem respostas também no terreno da ética propriamente dita - uma discussão que remonta aos gregos antigos e que certamente não será esgotada nos próximos 12 meses. Melhorias do sistema à parte, não dá para imaginar que os espaços para eventuais desvios de conduta sejam eliminados. Sempre haverá - felizmente - uma margem de manobra puramente individual. O que fazer se executivos desonestos se mostram afoitos para burlar as regras ao primeiro sinal de oportunidade? O que pode ser feito para incutir novamente valores num sistema que parece contaminado pela corrupção? A ironia é que as fraturas éticas do capitalismo surgem no momento de seu triunfo - quando até a ex-comunista China se vê no papel de estrela do sistema. Durante o período da Guerra Fria, a busca não era apenas de superioridade econômica. A disputa era igualmente ferrenha no campo dos valores - de um lado, a solidariedade do novo homem socialista, afinal liberto da milenar exploração de seus pares; de outro, a liberdade do indivíduo como ente supremo no reino capitalista, num ambiente de respeito às leis e ao direito do próximo. "Quando o capitalismo americano não precisou mais se preocupar com o comunismo, parece ter enlouquecido", escreveu recentemente o jornalista americano Thomas Friedman. A competição, engrenagem tão cara ao sistema capitalista, anda em falta no campo das idéias. Como não há sinal de outro sistema para confrontá-lo, desta vez a revolução ética terá de nascer de dentro do próprio capitalismo. André Lahoz ENERGIA A onda verde vai desbotar? A queda dramática no preço do petróleo vai ter impacto na busca por novas fontes energéticas - mas a inovação não deve parar Depois de um começo de ano animador para o setor de energias renováveis, com aumento nos volumes de investimento em fontes como biocombustíveis, eólica, solar e biomassa, os investidores e produtores das chamadas energias alternativas encerraram 2008 com um gosto amargo na boca - e o cenário deve ser ainda mais difícil em 2009. O desânimo que tomou conta do setor foi provocado, em grande parte, pela forte queda nos preços do petróleo a partir de setembro, quando eclodiu a crise financeira mundial. Os preços do barril atingiram impensáveis 147 dólares no meio do ano e tornaram atraentes os investimentos em tecnologias como a dos painéis solares, mas despencaram para cerca de 40 dólares em dezembro. Para analistas do setor - uma categoria que por ora anda em baixa - o preço do barril deve ficar na faixa de 45 dólares em 2009. "Nesse nível de preço, fica difícil pensar em energias alternativas no curto prazo", diz o biólogo Fernando Reinach, diretor da Votorantim Novos Negócios e um dos maiores especialistas em energia alternativa do país. Abandonar o vilão do aquecimento global é um objetivo nobre - mas, ao que tudo indica, cada vez menos investidores estarão dispostos a financiar essa empreitada. Além da queda dramática do preço do petróleo, o ano de 2009 vai ser de pouco crédito. E, sem dinheiro e disposição para correr riscos, é muito difícil fazer decolar a maioria das energias renováveis em estudo hoje. De acordo com a empresa de consultoria britânica New Energy Finance, especializada em energia, os investimentos em fontes renováveis chegaram a 142 bilhões de dólares em 2008, uma queda de 4% na comparação com o ano anterior. "Para 2009, a tendência é que a queda se acentue", diz Camila Ramos, analista da empresa no Brasil. Os números refletem o comportamento dos fundos de capital de risco estrangeiros, mas o mesmo fenômeno começa a ser observado por aqui. Está sumindo o dinheiro de quem entrou na onda por oportunismo. Até a primeira metade de 2008, o interesse por usinas de etanol era enorme. No segundo semestre, o sinal se inverteu: empresas de médio porte, como o grupo João Lyra e a Companhia Albertina, entraram em processo de recuperação judicial, e outras grandes companhias estão muito endividadas. Todas as indicações são de que o movimento vai continuar refluindo de forma severa em 2009. Com poucas perspectivas de que o etanol se torne uma commodity negociada em bolsas internacionais e uma produção maior do que a demanda mundial projetada para o próximo ano, o cenário é pouco animador. O cenário é ruim, mas não é de caos. Não se imagina que programas de desenvolvimento de energias renováveis sejam deixados de lado de uma hora para outra, como aconteceu com o Proálcool nos anos 80. Naquela época, o preço do barril do petróleo despencou, e os usineiros, sem subsídios do governo, passaram a usar a cana para produzir açúcar. Os carros movidos a álcool tornaram-se um péssimo negócio, e boa parte da frota foi convertida para rodar com gasolina. Os tempos, porém, eram outros. Não havia a ameaça do aquecimento global, e a preocupação com o dano causado pela queima de combustíveis fósseis era algo restrito a acadêmicos e a um nascente movimento ambientalista. Hoje, a pressão pela preservação do meio ambiente já começa a provocar profundas mudanças estruturais em algumas das indústrias mais tradicionais do planeta, como a de automóveis. A demanda por veículos menos poluentes foi um dos pontos que levaram as montadoras americanas à pior crise da história. Ao mesmo tempo, fabricantes de veículos híbridos, que queimam menos combustível, ganharam mercado. A viabilidade financeira das novas fontes de energia é essencial, mas haverá uma pressão crescente para que governos subsidiem pelo menos parte do desenvolvimento de alternativas energéticas limpas. Durante a campanha, o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, prometeu iniciar um programa de redução das emissões americanas em 80% até 2050. Obama nomeou o Nobel de Física Steve Chu para o cargo de secretário de energia de seu governo. Chu é um defensor declarado de fontes renováveis de energia, e sua escolha mostra o comprometimento do próximo presidente americano com o tema. Poucos duvidam que o compromisso americano com o tema é essencial para que as tecnologias de energias renováveis tenham impacto global. Outro alento é o fato incontornável de que o consumo energético mundial vai continuar crescendo, independentemente do preço do barril de petróleo ou dos humores das bolsas. Segundo uma estimativa da Agência Internacional de Energia, serão necessários 26 trilhões de dólares em investimentos até 2030 para satisfazer a demanda mundial. As empresas do setor serão responsáveis por apenas metade desse valor. O restante, calcula a AIE, virá de novas empresas e também dos governos. No Brasil, além do impacto esperado no setor de etanol, deve haver uma considerável desaceleração no desenvolvimento de campos eólicos, na utilização de bagaço de cana para a geração de eletricidade e nos investimentos em geração solar. Nos leilões de energia realizados em 2008, os preços oferecidos pelo governo não atraíram os produtores - e o enorme potencial de produção das hidrelétricas, principal fonte de eletricidade do país, é um complicador a mais. Diante da crise, não deverá haver aumento no preço e, conseqüentemente, os projetos deverão ser revistos. "Mas não há bem que seja eterno, assim como não há mal que não se acabe", diz o economista Oscar Pimentel, consultor na área de energia. O petróleo continua sendo uma fonte de energia finita, e as fontes renováveis serão necessárias no futuro. Resta saber como será a travessia durante o período de turbulência. Marcelo Onaga CLIMA A conta do aquecimento Dezembro de 2009 é o prazo final para que países emergentes e desenvolvidos cheguem a um acordo sobre o controle de emissões - e o impasse permanece O ano de 2008 foi um dos dez mais quentes dos últimos 160, de acordo com a Organização Mundial de Meteorologia. Em 2009, o que deve esquentar são as discussões sobre o futuro do planeta. Estão na reta final as negociações das metas para a segunda fase do Protocolo de Kyoto, o acordo global que tem o objetivo de reduzir as emissões dos gases que causam o efeito estufa. A primeira fase, que entrou em vigor de fato em 2004 e vai até 2012, estabeleceu limites de emissões apenas para os países industrializados. Mas, a partir da próxima etapa, todos os signatários do documento podem ser chamados a dar sua contribuição no combate ao aquecimento global - e isso inclui as estrelas emergentes China, Índia, Rússia e Brasil. O prazo para que se chegue a um acordo sobre o formato da segunda fase de Kyoto se esgota em dezembro de 2009. É pouco tempo, diante das enormes diferenças diplomáticas que ainda dividem ricos e emergentes e das dúvidas sobre a postura dos Estados Unidos sob nova administração. Uma das grandes quedas-de-braço que se anunciam para o próximo ano é a que vai opor os países do bloco Bric e as nações industrializadas. Brasileiros, russos, indianos e chineses alegam que não podem ser obrigados a pagar a conta da industrialização do mundo desenvolvido, que durante mais de um século poluiu a atmosfera sem nenhuma preocupação com o clima. Reduzir as emissões, segue o argumento, significa frear o crescimento econômico de países que só nos últimos anos viveram uma fase de aceleração econômica. Mas o indiano Rajendra Pachauri, presidente do órgão da ONU responsável por Kyoto e vencedor do Nobel da Paz de 2007, refutou essa linha de raciocínio de forma categórica na mais recente negociação internacional, realizada no início de dezembro, na Polônia. Para que o aumento da temperatura média global fique no aceitável nível de 2 graus centígrados, afirmou Pachauri, a atividade econômica teria de pagar um preço modesto. "O custo seria de 3% do PIB mundial em 2030", disse ele. Ainda não há nenhuma definição sobre o que vai acontecer dentro de três anos. Mas, se os emergentes tiverem mesmo de cortar suas emissões, haverá duas situações bastante distintas. China e Índia serão forçadas a encontrar formas para substituir a queima de carvão nas usinas termelétricas que empurram seus respectivos milagres econômicos. A carga maior, portanto, recairá sobre as empresas. No Brasil, cuja eletricidade vem em sua maior parte das ambientalmente corretas hidrelétricas, a receita seria um combate decidido ao desmatamento da Amazônia, responsável por três quartos das emissões de CO2 do país. O governo brasileiro apresentou na reunião polonesa um plano de diminuir em 40% a devastação florestal até o final de 2009. O plano tem ainda duas fases seguintes, que vão até 2017 e têm metas igualmente agressivas. Enquanto se desenrola o intenso vaivém diplomático até a reunião de dezembro, marcada para Copenhague, a capital dinamarquesa, outro evento fundamental para as discussões sobre o clima vai acontecer nos Estados Unidos. Barack Obama se muda para a Casa Branca em 20 de janeiro. Poucos acreditam que o democrata vá aderir ao Protocolo de Kyoto - os americanos não assinaram o documento da ONU e, portanto, não estão obrigados a cumprir metas. Mas Obama prometeu pesados cortes nas emissões americanas. Mesmo que fora do acordo formal, uma nova postura dos maiores poluidores do mundo poderia facilitar um consenso global? Quem acompanha a batalha de perto acredita que não. "As metas oferecidas por Obama estão aquém do proposto em Kyoto", diz o gerente de sustentabilidade da consultoria PricewaterhouseCoopers, Ernesto Cavasin. "E Kyoto já provou ser insuficiente." A temperatura está subindo no planeta - e também na complicada política internacional do clima. Luiza Dalmazo INTERNET Inundação de bits Vídeos e músicas aumentam como nunca o tráfego mundial de dados - e colocam à prova a capacidade da rede Os jogos de Pequim marcaram a história olímpica pelos números grandiosos. Foram 10 708 atletas, 70 000 voluntários e 42 bilhões de dólares em investimentos, a maior verba de todos os tempos. Outros resultados expressivos e surpreendentes foram vistos na internet. Pela primeira vez na história, os direitos de transmissão pela rede foram vendidos separadamente. A emissora americana NBC, dona do pacote para exibição online nos Estados Unidos, transmitiu nada menos que 2 200 horas de esportes, ou 30 milhões de vídeos. Parece muito? Pois isso é meramente um oitavo do volume diário trafegado pelo gigante YouTube. Até mesmo as emissoras de TV aprenderam a lição. A própria NBC, em parceria com a Fox, lançou o site de vídeos Hulu para exibir programas e filmes - e vender publicidade. Com imagens de boa qualidade, uma extensa programação e menos de um ano de vida, o Hulu entrou para a lista dos dez maiores sites de vídeo americanos. O ano que está terminando marcou a explosão dos vídeos online - e levantou um alerta ao redor do mundo: será que a internet vai agüentar o tranco? Os usuários finais respondem hoje por 70% do tráfego total da internet e são os que mais pressionam a infra-estrutura da web. Programas de compartilhamento de músicas - os chamados sistemas peer-to- peer -, jogos online e transmissão de vídeos pela internet representaram um total de 4,2 exabytes por mês na rede em 2008. Isso equivale a quase 1 bilhão de DVDs. Esse volume deve quadruplicar até 2012, segundo um estudo da fabricante de equipamentos de rede Cisco. O motor para o crescimento do consumo serão os novos serviços multimídia. Embora muitos dos novos serviços ainda não estejam disponíveis para todas as regiões (o Hulu não pode ser acessado do Brasil, por exemplo), já são 137,5 milhões os internautas que assistem a vídeos pela internet, número que vai se aproximar de 190 milhões em 2012, segundo a empresa de pesquisas ComScore. "As redes de hoje não conseguirão lidar com as demandas de tráfego do futuro", afirma Alan Mauldin, analista da empresa de pesquisas TeleGeography Research. "As operadoras precisarão investir muito para aumentar sua capacidade." Em tese, as empresas de telecomunicações deveriam entrar em um novo ciclo de pesados investimentos de infra-estrutura, pois quando as redes atuais foram construídas a expectativa era que os vídeos demorassem mais tempo para ganhar popularidade. Mas, em tempos de crise financeira mundial, não existem garantias de que isso vá ocorrer, o que aumenta as preocupações com eventuais congestionamentos da internet ao longo dos próximos anos. Uma possibilidade aventada é a diminuição da margem de segurança do tráfego da web em relação à capacidade da rede. A maioria das operadoras trabalha com folga de cerca de 30% de sua capacidade. Essa banda extra é usada em picos eventuais. Já se fala na indústria em reduzir essas margens a cerca de 20% da capacidade instalada. A mais polêmica das alternativas é acabar com o princípio da neutralidade da rede. Se as redes fossem estradas, as operadoras gostariam de criar pistas expressas, nais quais é cobrado pedágio. Dessa forma, produtores de conteúdo ou prestadores de serviço poderiam ver seu direito de passagem garantido até o usuário final. Sistemas de troca ilegal de arquivos, como o cada vez mais popular BitTorrent, não. As operadoras argumentam que os investimentos nas redes são enormes, e esse custo tem de ser dividido. Os defensores das redes neutras, nas quais não há distinção entre os bits que por elas trafegam, rebatem: o pedágio sufoca a inovação. Uma empresa como o Google certamente não teria condição de pagar pela pista expressa no início de sua vida. Teria chance reduzida de alcançar a importância que tem hoje, portanto. Mas a ameaça do congestionamento na internet parece ser tão iminente que o próprio Google, notório defensor do princípio da neutralidade, estaria disposto a entrar em negociação com operadoras e provedores de acesso para não arriscar a ficar desconectado dos internautas. Em 2009, a pressão estará sobre operadoras, provedores de acesso e sobre os governos, responsáveis pelas regras de uso das redes. Os consumidores já deixaram claro que querem conexões cada vez mais velozes, capazes de levar e trazer músicas, filmes e programas de TV com qualidade e comodidade. A questão é como fazer isso de forma economicamente viável, sem prejuízo à concorrência e, acima de tudo, a tempo de evitar um apagão da web. Camila Fusco
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